O operador de máquinas Robson Gonçalves virou manchete internacional por sua participação na Maratona de Boston. O brasileiro chamou a atenção pelo seu ato de solidariedade e empatia com outro participante da prova.
Com o objetivo de superar a sua melhor marca pessoal em uma corrida, Robson mudou os seus planos quando viu o norte-americano Ajay Haridasse, que estava completamente exausto, mau conseguindo ficar de pé. Naquele momento o britânico Aaron Beggs, que também participava da prova, estava amparando o jovem corredor.
Diante da cena, o brasileiro também parou, abrindo mão da possibilidade de alcançar seu recorde, e se juntou ao esforço para permitir que Ajay Haridasse alcançasse a linha de chegada.
“Foi um decisão de segundos. Quando entrei na avenida final da maratona, faltando alguns metros para conseguir o meu melhor tempo, vi, à distancia, o Ajay Haridasse em colapso. Eu sabia que não teria forças sozinho para ajudá-lo. No momento eu pensei: Deus, se alguém parar, eu também vou ajudá-lo. E Deus foi tão generoso conosco que o Aaron Beggs parou, e eu sabia que poderia ajudar, pois dois são mais fortes do que apenas um. Grato a Deus pela força que nos deu naquele momento, e pelo Haridasse não ter desistido. Meu amigo você foi muito forte. Parabéns pela prova. Este é o espírito de Boston”, afirmou o brasileiro, através das redes sociais.
Ao realizar o ato de generosidade, Robson encerrou a prova com o tempo de 2h44min, perdendo a oportunidade de bater seu recorde pessoal, mas virou manchete em veículos de comunicação de várias do mundo por mostrar que o esporte também é um espaço para a generosidade e a empatia.
Conheça Robson
Robson iniciou sua trajetória no atletismo há quase 10 anos. Ele começou correndo duas ou três vezes por semana, no máximo cinco quilômetros. Em 2019, correu a primeira maratona, em São Paulo, e o seu grande objetivo era correr a de Boston, considerada a maior do mundo entre os corredores amadores. Desde 2024 ele se preparava para a competição e, agora, seu foco será superar o recorde na edição do próximo ano.
O atleta amador diz que a rotina é complexa e que trabalha em diferentes turnos e admite que ficou surpreso com a onda de carinho que recebeu após a atitude de solidariedade.
“Eu treino quando dá. Quando trabalho de dia, treino antes do trabalho. Acordo 4 horas da manhã. Quando estou à tarde, treino quando as crianças estão na escola e às 16h entro no trabalho. E, na madrugada, só treino se o corpo permitir, às vezes às 8h da manhã ou à tarde, depois de dormir um pouco, explicou. “Nunca recebi tanta mensagem. Estou usando o Google Tradutor para responder a algumas. Mas vou demorar dias para conseguir falar com todo mundo. Eu não esperava”, acrescentou.