Considerado um dos principais ídolos do futebol brasileiro, Zico não segurou a emoção ao prestigiar a pré-estreia do documentário “Zico: O Samurai de Quintino”. O evento aconteceu nesta terça-feira (14), no complexo do Downtown, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Nas 12 salas lotadas, a obra dirigida por João Wainer proporcionou uma experiência sensorial que lembrou, em emoção e intensidade, o estádio do Maracanã. O som das torcidas foi cuidadosamente trabalhado na mixagem do filme. A cada lance e memória revisitada, o público reagia como se estivesse diante de um clássico.
Ao comentar a experiência de assistir à própria trajetória na tela, Zico não escondeu o impacto. “Bateu emoção direto, o tempo todo. Você começa a lembrar de tudo o que aconteceu na sua carreira. Tem lances ali que eu vou ver dez vezes e vou chorar dez vezes”, disse.
A partir da obra, o ex-jogador também refletiu sobre os valores que compõem a sua história, destacando o contraste com o presente: “A gente vive um momento muito de individualidade, de ‘eu, eu, eu’. E eu sou do ‘nós’. O filme mostra isso: amizade, ajuda, superação.”
Sobre a obra
Após seis anos em produção, o documentário “Zico: O Samurai de Quintino” estreia nos cinemas em 30 de abril e remonta a trajetória de Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Do subúrbio de Quintino às glórias com o Flamengo, passando pela experiência transformadora no Japão, o filme reúne arquivos inéditos, relatos familiares e depoimentos históricos de nomes como Ronaldo, Júnior e Carlos Alberto Parreira.
Para o diretor, a dimensão do personagem exigia uma abordagem à altura. “O Zico foi um samurai que encarnou em Quintino”, disse Wainer.
A frase, nascida de uma brincadeira, acabou traduzindo o espírito do filme que conta uma história de disciplina, honra e pertencimento atravessando continentes.
Wainer também destacou a importância da família na narrativa, especialmente da esposa Sandra. “Ela tem uma importância muito grande na vida do Zico e no filme também. Quando você ouve a Sandra, a Zezé, ou até a Dona Matilde nos arquivos, há um frescor diferente”, afirmou.
A presença feminina é um dos eixos que sustentam o documentário. Ao revisitar álbuns guardados por décadas, a produção constrói um retrato íntimo e afetivo do ídolo para além dos gramados.