Museu no Subúrbio Ferroviário reúne obras de artistas locais e guarda preciosidades

José Mion é jornalista, assessor de imprensa e escreve para o Alô Alô Bahia.

Desconhecido de grande parte da população de Salvador, o Acervo da Laje é um dos poucos museus da cidade que fogem das áreas tidas como nobres, onde se encontra a maioria dos espaços de cultura que compõem o cenário museal soteropolitano. Localizado no bairro do São João do Cabrito, no Subúrbio Ferroviário, ele é também um espaço de resistência vivo há mais de dez anos, em área periférica, distante do circuito artístico local.
 
O vasto e variado acervo é dividido em duas casas, que abrigam biblioteca, hemeroteca, coleções de CDs, discos, manuscritos, croquis, conchas, tijolos, azulejos e porcelanas antigas, artefatos históricos, quadros, esculturas em madeira e alumínio, fotografias e objetos que contam a história do Subúrbio Ferroviário de Salvador, reforçando a beleza e elaborações estéticas deste território, para muitos, invisível. As peças são adquiridas através de compras, doações e até mesmo encontradas nos lixos.
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“Um dos objetivos do Acervo é proporcionar o encontro das pessoas com as obras e os artistas, assim como estimular pesquisas e a ressignificação da imagem da periferia, mostrando seus valores, memória, cultura e elaborações estéticas”, explica o site oficial do projeto, idealizado pelo pesquisador e professor José Eduardo Ferreira Santos.
 
Numa das casas, onde ele morou, foram iniciadas as pesquisas sobre a produção artística local, com a aquisição de obras, reunião de arquivos históricos, livros e diversos outros objetos que se relacionavam com a beleza e a história do lugar e que foram sendo guardados na laje do imóvel, construído ao longo dos anos, sem projeto arquitetônico.
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A instituição, que pode ser visitada mediante agendamento, busca ser um espaço que dialoga bem com a lógica do território e não intimida, deixando os moradores das imediações à vontade, ao contrário dos grandes e pomposos museus, que muitas vezes afastam o público – esse conceito, inclusive, guia a intenção da galeria aberta, em dezembro, por Vik Muniz, na Feira de São Joaquim.
 
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No Acervo, duas exposições fotográficas são permanentes. “Cadê a Bonita?”, de Marco Illuminati, mostra a beleza das mulheres, e “A Beleza do Subúrbio”, coordenada por Marcella Hausen, apresenta fotos de crianças e adolescentes dos bairros São João do Cabrito e Itacaranha. Além das mostras fixas, estão expostas obras de artistas do Subúrbio e Cidade Baixa e , como Almiro Borges, Otávio Bahia, Prentice Carvalho e Indiano Carioca, além de trabalhos de artistas de outras áreas da cidade, como Itamar Espinheira, Reinaldo Eckenberger, Solon Barreto e Chico Flores. Grande parte da coleção, inclusive, pode ser visitada na Galeria Virtual do site www.acervodalaje.com.br.
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Nas duas casas em que o acervo é dividido, famílias ainda moram nos andares térreos. Elas contribuem para a manutenção dos espaços, abrindo os andares superiores dos imóveis para os museus, onde são realizados visitas, oficinas e encontros. A biblioteca do Acervo da Laje, por exemplo, está no local onde foi o quarto de José Eduardo na juventude, construído a partir do seu salário como professor, num ambiente marcado pela expansão espontânea, que acompanha necessidades imediatas dos usuários, assim como o próprio Acervo.

Confira fotos: 
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