A França venceu a Irlanda do Norte por 3 x 1 nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, na Decathlon Arena Stade Pierre-Mauroy, em Lille, e encerrou sua preparação para a Copa do Mundo com uma atuação definida pela noite decisiva de Michael Olise. O atacante marcou aos 43, 49 e 75 minutos, enquanto Patrick Kelly descontou aos 64. Mais do que o placar, o amistoso deixou uma leitura clara para Didier Deschamps. A seleção francesa ainda alternou ritmo e teve dificuldade para acelerar por dentro em parte do primeiro tempo, mas encontrou em Olise o jogador capaz de quebrar um bloco baixo sem depender apenas de Kylian Mbappé.
Olise decide em uma França dominante, mas nem sempre fluida
A França controlou a maior parte do jogo, teve mais posse e empurrou a Irlanda do Norte para perto da própria área. O domínio territorial, porém, não se transformou rapidamente em vantagem. A equipe de Deschamps circulou a bola com paciência, mas em vários momentos faltou velocidade na troca de passes para desmontar a linha defensiva adversária.
Foi nesse cenário que Olise mudou a partida. O primeiro gol, já perto do intervalo, tirou peso de uma França que pressionava sem criar tantas chances limpas. O segundo, logo no começo da etapa final, ampliou a margem e reforçou a superioridade francesa. O terceiro, aos 75, veio em jogada individual pela direita, com corte para dentro e finalização de esquerda. A atuação deu ao atacante do Bayern um protagonismo importante justamente no último jogo antes do Mundial.
Irlanda do Norte competiu com bloco baixo e achou um respiro
A Irlanda do Norte entrou em campo com uma proposta de contenção. A equipe de Michael O’Neill protegeu a entrada da área, fechou o corredor central e tentou alongar o jogo quando recuperava a bola. O plano sustentou o empate por mais de 40 minutos e ainda teve um gol anulado de Jamie Donley antes do intervalo, lance que mostrou que a França não controlou todos os riscos da partida.
O gol de Patrick Kelly, aos 64, recolocou algum incômodo no amistoso. A jogada nasceu com participação de Shea Charles e expôs um momento de menor agressividade francesa após as primeiras trocas. Mesmo assim, a Irlanda do Norte não conseguiu transformar o desconto em pressão constante. Depois do 3 x 1, a França voltou a instalar o jogo no campo ofensivo e reduziu as possibilidades de reação.
Deschamps usa o amistoso para testar peças sem perder controle
Deschamps aproveitou o jogo para administrar minutos e observar alternativas. Lacroix e Malo Gusto entraram no intervalo, enquanto Barcola, Digne e Cherki foram acionados no segundo tempo. As mudanças preservaram intensidade pelos lados e mantiveram a França com volume, embora a equipe tenha ficado mais espaçada em alguns ataques após abrir dois gols de vantagem.
O desenho francês deu liberdade para Olise atacar a partir da direita e aparecer também por dentro. Dembélé e Doué ajudaram a atrair marcadores, enquanto Tchouaméni e Rabiot sustentaram a posse no meio-campo. A França não fez uma exibição sem falhas, mas mostrou repertório suficiente para vencer um adversário fechado sem precisar transformar o amistoso em jogo de transição permanente.
Mbappé participa, mas a noite fica nas mãos de Olise
Mbappé teve presença ofensiva, procurou finalizações e apareceu em uma chance clara no segundo tempo, mas não foi o nome central do jogo. Sua movimentação ajudou a prender defensores e abriu espaço para que Olise recebesse em condições melhores pelo lado direito. A França costuma depender muito do peso individual de seu capitão, e o amistoso ofereceu uma resposta útil para Deschamps. Há outro foco criativo capaz de resolver quando o jogo trava.
Olise saiu aplaudido aos 82 minutos, substituído por Maghnes Akliouche, depois de uma atuação que combinou oportunismo, precisão e tomada de decisão. Para uma seleção que chega à Copa cercada por expectativa, ter mais um jogador em alta no setor ofensivo amplia as soluções para enfrentar rivais que devem defender baixo na fase de grupos.
Último teste leva a França ao Mundial com boas respostas
O resultado não muda o peso da França como candidata forte no Mundial, mas melhora o ambiente competitivo antes da estreia. A equipe estreia no Grupo I contra Senegal, em 16 de junho, no Estádio de Nova York e Nova Jersey, e depois enfrenta Iraque e Noruega. A vitória sobre a Irlanda do Norte reforça a profundidade ofensiva francesa e coloca Olise em posição de disputar papel relevante desde o início da competição.
Para a Irlanda do Norte, a derrota confirmou a diferença técnica entre as equipes, mas também deixou pontos positivos na organização sem bola e na capacidade de competir em bloco baixo.
Para a França, o 3 x 1 vale pela vitória, pelo controle geral da partida e, principalmente, pela confirmação de que Olise chega ao Mundial como uma peça decisiva no ataque de Deschamps.