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20 May 2020

Santo Antônio de Jesus cria blog para que alunos estudem de casa, diz prefeito

Luan Santos

Santo Antônio de Jesus cria blog para que alunos estudem de casa, diz prefeito Última cidade da Bahia com mais de 100 mil habitantes a registrar casos de coronavírus, Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo da Bahia, teve a primeira confirmação apenas no dia 1º de maio. Desde então, foram sete casos, um dos menores índices entre os 20 maiores municípios do estado.
 
Contudo, apesar do número, o sinal de alerta está ligado. O prefeito da cidade, Rogério Andrade (PSD), conta que, após a confirmação da contaminação do ex-deputado Augusto Castro, que ficou hospedado em um hotel do município em março, decidiu tomar uma série de medidas para impedir o contágio em Santo Antônio.
 
Entre as medidas estão a suspensão da entrada e saída de veículos da cidade e o monitoramento de funcionários e hóspedes do hotel por onde passou o ex-deputado. Funcionários e pessoas hospedadas em outros estabelecimentos também foram monitorados pela prefeitura, que decidiu ainda pela paralisação do comércio e da indústria.
 
Há alguns dias, o prefeito decidiu flexibilizar a abertura do comércio, ainda de maneira lenta. As indústrias também voltaram a funcionar, mas seguindo um plano de enfrentamento. Segundo o prefeito, a retomada das atividades produtivas será feita à medida que a curva de transmissão for achatada.
 
Santo Antônio de Jesus tem o menor número de casos entre as 20 maiores cidades da Bahia e foi uma das últimas a registrar o primeiro caso. A que o senhor atribui isso?
 
Santo Antônio de Jesus fez uma política de forma adiantada. Quando observamos o movimento do vírus, começamos a organizar estratégias para evitar aglomerações e informar a população acerca dos cuidados em relação ao contágio. Na semana seguinte à notícia da pandemia, paralisamos as escolas e apresentamos um plano para que os alunos tivessem aulas em casa. Para que os estudantes continuassem ativos, foi implantado um blog em que os pais e responsáveis têm acesso a conteúdo preparado pelos professores para estudarem junto com as crianças e adolescentes, mantendo o processo de aprendizagem. Na próxima semana também iniciaremos a realização de lives direcionadas para os professores da Rede Municipal de Educação.  Também conversamos com as cadeias produtivas. O comércio e as indústrias foram paralisados e isso ajudou muito. Somente há poucos dias começamos a flexibilizar o comércio lentamente. As indústrias voltaram a funcionar com um plano de enfrentamento. O comércio também, em especial os gêneros essenciais. Mas ainda temos academias, cinemas e bares fechados. O papel da fiscalização é muito importante também.
 
O ex-deputado Augusto Castro passou por SAJ antes de ter o diagnóstico da covid-19 confirmado. Foi praticamente na mesma época em que os casos na Bahia começavam a crescer. Quais as principais medidas adotadas pela prefeitura para impedir o avanço da doença na cidade?
 
Na época, já estávamos em pleno avanço do plano de enfrentamento e nesse sentido a secretaria monitorava todos os hóspedes nos hotéis de SAJ. Com a notificação do caso, imediatamente intensificamos o acompanhamento dos funcionários e demais hóspedes, isolando e testando pra COVID-19 todos que se fizeram necessário. Entre as medidas adotadas, podemos destacar que suspendemos as atividades na Rede Municipal de Educação, antes mesmo do Governo suspender na rede estadual. Também suspendemos a entrada e saída de veículos de transporte alternativo, a presença de comerciantes de outros municípios na Feira Livre Municipal e a realização de eventos esportivos, culturais e/ou religiosos até 31 de julho, inclusive, cancelando os festejos juninos. Iniciamos imediatamente uma campanha de conscientização sobre o uso de máscaras, distanciamento social e outras medidas preventivas. Montamos uma Central de Monitoramento exclusiva para COVID-19, implantamos barreiras sanitárias nos acessos ao município, instalamos pias públicas na Feira Livre e Praça Padre Mateus, estamos realizando a desinfecção regular de Praças, Feira Livre, Unidades de Saúde e do abrigo dos Idosos. Com o apoio da Câmara Municipal e de parceiros, fizemos a distribuição de aproximadamente 1.200 cestas básicas. Também distribuímos kit’s lanches para os estudantes da Rede Municipal e mais recentemente distribuímos kits de higiene pessoal, máscaras, pacotes de leite e fraldas descartáveis para famílias em situação de vulnerabilidade.
 
A cidade começou a ter os primeiros registros agora em maio. O senhor teme que haja uma explosão de casos e que haja problemas para o sistema de saúde?
 
Com o surgimento do primeiro caso numa circunstância de pandemia e transmissão comunitária no país, de um vírus altamente transmissível, a Prefeitura tem consciência da possibilidade real de aumento de casos e por isso segue monitorando e ampliando suas ações para evitar o colapso da rede. Entendemos o cenário e a necessidade de continuar realizando um trabalho intensivo para conseguir o achatamento da curva. Todavia é sabido que os números no Brasil estão alarmantes.
 
Como está a rede pública e privada de saúde? Há estrutura para atender à população em um eventual aumento dos casos?
 
Atualmente, temos 2 hospitais públicos e uma unidade de pronto atendimento (UPA) num total de 40 leitos de UTI na rede pública e 3 leitos para pacientes graves na UPA. Na rede privada, há uma unidade com mais 10 leitos de UTI.
 
No começo do mês, o senhor decidiu flexibilizar a abertura do comércio. Qual a situação hoje? Há possibilidade de fechar novamente? Como está o diálogo com o setor do comércio?
 
O plano de enfrentamento da COVID-19 prevê que, com base nos boletins epidemiológicos e a avaliação de cada caso concreto, haja uma flexibilização paulatina ou uma situação extrema de travamento. Mas, sempre com diálogo e equilíbrio entre saúde e economia. Num primeiro momento da flexibilização, optamos pelo sistema de rodízio, sempre fiscalizando os estabelecimentos cujo funcionamento era permitido. Desde a última segunda-feira (18), fizemos uma mudança e os segmentos já flexibilizados passaram a funcionar em um único turno de segunda à sexta.
 
 Como o senhor avalia o cumprimento pela população das medidas da prefeitura, como o uso de máscara e o próprio isolamento?
 
É perceptível o apoio da população e o cumprimento das exigências do plano de enfrentamento, como o uso obrigatório de máscaras. Os estabelecimentos comerciais, por exemplo, estão atentos aos decretos, exigindo o uso de máscaras e aferindo a temperatura dos clientes, além de disponibilizarem álcool em gel. Também implantaram marcações para facilitar o distanciamento e incentivaram o uso do delivery.
 
A prefeitura trabalha com expectativa de que a situação volte à normalidade? Há algum plano para a retomada plena da atividade econômica?
 
Sim. Achatando a curva de transmissão da COVID-19, a retomada das atividades torna-se uma realidade cada vez mais próxima. Mas é preciso cautela. Um dia de cada vez. A retomada parcial já existe, uma vez que encontramos no atual momento o equilíbrio da economia (cadeias produtivas abertas com plano de enfrentamento) X saúde (efetivo controle dos casos com giro leito nos hospitais). Quanto a retomada plena das atividades, vamos continuar acompanhando atentamente o comportamento da pandemia, priorizando sempre a vida das pessoas, nosso bem maior.
 
Foto: divulgação.  Siga o insta @sitealoalobahia.