Majur conta detalhes sobre “Rainha de Copas”, seu mais recente lançamento em parceria com Liniker

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A cantora baiana Majur lançou nesta semana o videoclipe de "Rainha de Copas", sua parceria com Liniker. A faixa faz parte do álbum "Ojunifé", primeiro da carreira da soteropolitana, lançado em maio deste ano. "Esse é, com certeza, um dos clipes da minha carreira. Não só por apresentar eu e Liniker de uma forma nunca antes vista pelo público, mas também pelo significado que essa canção tem pra mim", explica Majur. Em conversa com o Alô Alô Bahia, a artista contou detalhes sobre o novo trabalho.


Alô Alô Bahia - Qual você considera que tenha sido o maior desafio no processo de produção do Ojunifé, álbum do qual a faixa “Rainha de Copas” faz parte, e qual significado esse trabalho tem pra você enquanto artista?

Majur - Para mim, o maior desafio foi escrever sobre a minha vida porque tive que ver do lado de fora e entender a minha vivência como um personagem e escrever sobre. É muito difícil porque fala de cura e, nesse processo, eu também me curei escrevendo e revivendo o que aconteceu no passado. Acho que esse foi o maior desafio. E foi incrível porque fez total diferença, eu mudei muito.
 
Alô Alô Bahia - Qual o significado que a faixa “Rainha de Copas” tem para este projeto e como se deu esse processo de parceria com a Liniker?

Majur - “Rainha de Copas”, para mim, é a música principal do disco porque se trata de uma mulher que já é dona de si. Essa mulher sou eu agora, depois de todos esses processos que eu vivi no disco. Ter a Liniker ali significa a força que eu encontrei anos atrás quando nos encontramos e eu a vi pela primeira vez e pude me sentir inspirada a ser artista porque existia alguém como eu. Convidei a Liniker a fazer essa música justamente por isso.
 
Alô Alô Bahia - O clipe de “Rainha de Copas” apresenta um conceito de labirinto mental, que traz memórias das suas vivências desde a infância. Como se deu o processo criativo de construção desse vídeo e quais elementos e referências você buscou trazer nele?

Majur - Sim, “Rainha de Copas” tem o conceito de labiritinto. Enquanto humanos, precisamos entender que somos seres muito complexos tentando viver em comunidade e, dentro desse processo da minha infância, das minhas vivências até hoje, muitas coisas aconteceram que foram muito importantes. Eu acho que trazer a minha vida e esse processo evolutivo enquanto pessoa trans nessa música foi também possibilitar que pessoas que nunca viram a vida de pessoas trans possam ver e se enxergar. Tenho certeza que muitos adolescentes, crianças, adultos, pessoas jovens, que estão nesse momento se questionando e questionando seu gênero, se entendendo, se encontrando, vão ver isso e se identificar de toda forma. Esse processo criativo se deu a partir do Bruno Pimentel, meu stylist e diretor criativo do álbum. A gente, nesse encontro de almas - somos amigas também -, conseguiu trocar e trazer em síntese toda minha vivência ali em relação a esse corpo relacional que está sempre com as pessoas, sempre com alguém que está vivendo. É importante dizer que eu estou criando um imaginário de uma vivência trans. A gente só entende vivência trans enquanto corpo da prostituição, mas existem pessoas trans que tem uma vida dita normal. A gente não deveria nem estar falando desse jeito, porque parece que não é normal, mas realmente porque nós não somos humanizadas, por isso eu falo dessa forma.
 
Alô Alô Bahia - Quais você acredita que são as principais memórias, aprendizados e experiências que contribuem para quem é a Majur hoje e de que forma você acredita que elas estão traduzidas nesse álbum?

Majur - Toda minha vida contribui para a Majur que eu sou hoje e eu agradeço a cada Majur que viveu nesse tempo, desde a infância, de todos os processos de entendimento do meu corpo, de entendimento como um homem gay, até de se questionar e perceber que não havia um homem e se encontrar logo depois. Todas as Majur são importantes, todos os processos são importantes para mim e, inclusive, me fazem crescer e hoje me fazem trazer tudo que eu trago para as pessoas relacionado à vivência, às experiências, ao entendimento de corpo, de gênero... E elas estão nesse álbum totalmente, do início ao fim, é minha história.


 



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