18 Jul 2021

“Falei sobre a minha orientação sexual para me apresentar por inteiro”, diz Eduardo Leite

Luan Santos

Jornalista, repórter, assessor e consultor de comunicação.

 “Falei sobre a minha orientação sexual para me apresentar por inteiro”, diz Eduardo Leite
Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de 36 anos, está convencido de que seu estilo conciliador e seu êxito como gestor, aliados à juventude, o credenciam para ser o nome do PSDB para concorrer a Presidência da República em 2022. Por isso, o líder gaúcho iniciou uma série de viagens por todo o país e, sexta-feira (16), desembarcou em Salvador.

Na cidade, foi recebido pelo empresário e prefeito de Mata de São João, João Gualberto (PSDB), que o homenageou com pequeno jantar no apartamento do Corredor da Vitória, com as presenças do presidente nacional do Democratas, ACM Neto (DEM), do prefeito municipal, Bruno Reis (DEM), e do deputado Adolfo Viana (PSDB). O encontro, claro, rendeu declarações públicas e elogios entre os presentes, inclusive de ACM Neto, que definiu Eduardo como “um dos grandes nomes da nova geração de políticos do Brasil”.

No dia seguinte, sábado (17), Leite seguiu para a sede da Associação Bahiana de Supermercados (ABASE), onde se reuniu com filiados do PSDB. Antes da reunião, ele conversou com o Alô Alô Bahia. Na ocasião, destacou que evidenciou sua orientação sexual para que “se apresente por inteiro para a população”. Também, na oportunidade, falou sobre a corrida eleitoral do ano que vem, o voto dado ao presidente Jair Bolsonaro em 2018 e apoios internos no PSDB.

Declaração

Recentemente, em entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, Eduardo Leite revelou ser gay. “Eu falei sobre a minha orientação sexual para me apresentar por inteiro para a população, porque falta integridade na política nacional. Integridade significa ser por inteiro e não pela metade. Eu nunca menti, nunca tentei fazer as pessoas acreditarem que não fosse gay. É uma coisa que toca na minha vida. Eu espero que o Brasil chegue ao ponto de não se importar com a cor, com a crença religiosa, com gênero, com a orientação sexual”, nos disse o político.

“Nesta política que a gente vive hoje, em que políticos escondem Mensalão, escondem Petrolão, escondem rachadinhas e escondem superfaturamento de vacinas, fiz questão de começar essa trajetória em nível nacional me apresando por inteiro para as pessoas, para que elas saibam quem é Eduardo Leite na inteireza”, continuou.

Voto em Bolsonaro

Sobre ter declarado voto em Jair Bolsonaro (Sem partido) na última eleição, ele disse que o que estava em jogo naquele momento era a volta do PT ou o atual presidente. Era, na visão dele, uma disputa plebiscitária. "De um lado nós tínhamos o PT, com graves escândalos de corrupção comprovados, casos de desvio de dinheiro e a volta ao poder do partido naquelas condições poderia significar chancelar aquelas práticas. O modelo econômico adotado pelo PT quebrou o país e a sua volta significaria aumento da pobreza e da miséria no Brasil, com um modelo econômico errado e pouco responsável para o futuro do Brasil", declarou. Entretanto, Eduardo Leite fez questão de dizer que não fez campanha para o presidente. “A escolha pelo Bolsonaro não foi um apoio, de fazer campanha junto, defender, pedir votos. Isso nunca eu fiz”.

Falta de compaixão

Adversário determinado, o governador gaúcho fez severas críticas à gestão de Jair Bolsonaro frente à pandemia do Covid-19. “A falta de compaixão do presidente na pandemia foi total. Colocou vidas humanas em risco para sustentar a sua ideologia e discurso (de incentivar a divisão), lançando os brasileiros ao risco de contrair um vírus mortal. Sem dúvida nenhuma, ele foi responsável pela perda de milhares de vidas”, pontou.

Prévias do partido

Apesar da ênfase das suas posições e da autoconfiança, antes da eleição de 2022, Leite terá que ganhar seu próprio partido, o PSDB, que possui pelo menos mais três nomes buscando viabilizar as suas campanhas para a Presidência: Tasso Jereissati (senador pelo Ceará), Arthur Virgílio Neto (ex-prefeito de Manaus) e João Dória (governador de São Paulo). Adversário determinado, Eduardo Leite fez questão de ressaltar que “não é um contra o outro, mas a favor de um projeto, de uma agenda, de uma visão de futuro para o Brasil. Então, eu tenho muita identidade e afinidade com o PSDB da Bahia e confio que a gente vai estar junto dentro desse processo de prévias”.

Pé na estrada

Após a coletiva em Salvador, ainda no sábado, Eduardo Leite seguiu para Maceió, em Alagoas. Por lá, conheceu a região dos bairros Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Mutange, visitou o Instituto Mandaver, no Vergel do Lago, e participou de encontro com correligionários e filiados do partido em uma casa de eventos no bairro do Farol. Foi recepcionado pelo senador Rodrigo Cunha (PSDB).
 
Fotos: Divulgação. Siga o insta @sitealoalobahia.
 

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