7 Jun 2021

Escritor baiano Flavio Fernandes conta como a escrita o ajuda a lidar com uma doença autoimune

Escritor baiano Flavio Fernandes conta como a escrita o ajuda a lidar com uma doença autoimune
O escritor e advogado soteropolitano Flavio Fernandes, que em 2018 teve um diagnóstico de policondrite recidivante – doença autoimune que provoca a inflamação das cartilagens, encontrou na escrita um meio para lidar com os desafios da doença e levou sua experiência para as páginas do livro Contos de Awnya: RAVEL. 

Em entrevista inédita, Flavio conta mais sobre a doença, o processo de tratamento e a escrita do livro, além de revelar detalhes exclusivos da obra e deixar uma mensagem inspiradora para os leitores.

Por que você decidiu, entre tantos gêneros, escrever uma fantasia? Teve algum escritor ou escritora como inspiração?

Flavio Fernandes: Fantasia, especificamente fantasia medieval, sempre foi meu gênero favorito. Desde pequeno me divertia com as histórias de “Willow na terra da magia”, Krull, entre outros. Na adolescência, através de jogos de RPG descobri Tolkien e foi amor à primeira vista. Então, por amar tanto esse gênero não teria como ser diferente. Grande parte de meu repertório de histórias são ambientadas em mundos fantásticos, especialmente no mundo de Awnya. Minhas grandes referências como escritor são JRR Tolkien e Andrzej Sapkowski.

Como surgiu sua paixão pelas histórias fantásticas?

Flavio Fernandes: Vem desde pequeno. Quando criança eu passava as tardes assistindo tokusatsus. Acredito que ali foi plantada a semente do fantástico em minha mente. Depois vieram os animes, os quadrinhos os jogos etc. A escrita foi um pouco mais tarde, surgiu quando e tinha 15 anos. Foi quando eu decidi escrever as primeiras histórias no mundo de Awnya, muito influenciado pela leitura de O senhor dos Anéis de Tolkien.

Na história, Ravel é um mago que tem alergia à sua própria magia. Quais desafios ele teve de enfrentar para chegar à autoaceitação? E na sua vivência pessoal, como isso ocorreu?

Flavio Fernandes: Alerta de Spoiler! Acredito muito que somos moldados pelo o que pensamos e acreditamos. Então, eu trouxe para o mundo de Awnya essa questão e fiz a metáfora com a magia. O mago precisa de uma mente afiada para conjurar feitiços. A partir do momento que essa mente adoece, sua habilidade também fica prejudicada. Então, os desafios que Ravel teve que passar, são aqueles que remeteram às suas próprias falhas. No meu caso, foi pura experimentação. A doença destaca os meus sentimentos e meu corpo. Percebi que a raiva, a ansiedade e o medo a potencializavam. E, agora, controlada, ela “belisca” meu corpo. Se estou ansioso, sinto o joelho fisgar, a cartilagem da orelha esquentar ou esterno doer, algo assim. Então, comigo foi um verdadeiro autoconhecimento. Compreendi como minha mente é capaz de me prejudicar. Assim, não foi difícil imaginar o contrário, como minha mente pode me ajudar.

De que forma a escrita te ajudou a superar o diagnóstico da policondrite recidivante? 

Flavio Fernandes: O ato de escrever, para mim, já serve de terapia, pois é algo que amo fazer. Então tudo que te proporciona prazer, já funciona como um remédio que acalma, descansa e desestressa. Porém, este livro em especial me ajudou porque eu precisei revisar em minha mente os fatos que antecederam o eclodir da doença. Com essa compreensão, estou conseguindo lidar melhor com ela. Consigo me antecipar a crises e a superar as que não consigo evitar.

Qual é a principal mensagem que "Contos de Awnya: RAVEL" traz aos leitores?

Flavio Fernandes: Nossa mente, nosso poder! Esse lema das escolas de magias do mundo Awnya é repetido várias vezes durante o livro e eu acredito que ele resume bem a lição da obra. Cuidado com o que pensa, com o que deseja, com o que almeja. Cuide de sua mente, semeie pensamentos positivos e faça o bem. Às vezes, temos um peso escondido em nosso subconsciente que carregamos com dor e nem percebemos. Contos de Awnya: RAVEL é um convite para a reflexão sobre o peso que levamos sem nos dar conta de suas implicações materiais.

Como se deu o processo de criação do protagonista? Quais são as semelhanças que ele tem com você?

Flavio Fernandes: Eu adoro magos! Em jogos de RPG eu sempre interpreto um mago. Então, já era um desejo antigo escrever um livro com um mago sendo protagonista. Quando me veio a ideia de usar a doença para ser retratada no livro, nada melhor que um mago para conduzir essa mensagem, afinal, qual herói usa tanto a sua mente como fonte de poder?  

Além desse lançamento, você pretende publicar outros livros ou uma continuação para a história?

Flavio Fernandes: Sim! As aventuras no mundo de Awnya estão só começando. No meu site flavioasfernandes.com.br tem uma aba de contos e um mapa do mundo. Ou seja, tem muitos lugares para serem explorados. A fantasia tem a grande vantagem de poder exagerar fenômenos do nosso dia a dia de forma que se tornem mais fáceis a sua compreensão.



Foto: Reprodução. Siga a gente no Instagram @sitealoalobahia e no Twitter @aloalo_bahia
 

NOTAS RECENTES

TRENDS

As mais lidas dos últimos 7 dias