Com exposição em São Paulo e livro no forno, Alberto Pitta fala sobre arte e legado

Gabriela Cruz é jornalista, ilustradora e escreve para o Alô Alô Bahia. 


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​Aos 61 anos, Alberto Pitta exerce um papel fundamental na cultura brasileira. Artista plástico, carnavalesco à frente do Cortejo Afro, designer e serígrafo, há 4 décadas desenvolve trabalhos de pesquisa e criações que fazem dele um mestre e um executor vibrante e inquieto.

Um dos pioneiros da arte de estampas afrobaianas, o criativo se prepara para participar da SP Arte - que terá como tema Rotas Brasileiras e será realizada dos dias 24 a 28, na Arca, através da Carmo Johnson, galeria que o representa em São Paulo. Além disso, fará, em novembro, o lançamento do livro "Histórias contadas em tecido - O carnaval negro baiano", no MAM-BA, obra que conta, de maneira diferente, as histórias dos blocos através dos panos.

Nesta entrevista exclusiva ao portal Alô Alô Bahia, Alberto Pitta fala sobre o plano de lançar um disco do Cortejo Afro, da relação criativa com o DJ e produtor musical Ubunto, e da importância de ocupar espaços com sua arte. Confira:
 
Alô Alô Bahia: Ao longo de 40 anos você vem atuando como artista plástico, carnavalesco, designer e serígrafo. Quando e como você se percebeu pronto para atuar em cada uma dessas funções?
Alberto Pitta: Quando surgiu o Ilê Aiyê, eu despertei para a importância de todo aquele movimento. Antes do Ilê era atraído pela estética dos blocos de índios: Apaches,  Commanches, Cacique do Garcia, Tupys, Guaranys, Xavantes  dentre outros.
 
AAB: Quem te inspirou e te ajudou a se entender em sua jornada?
AP: Fui inspirado, principalmente por minha mãe Santinha de Oyá. Ela era bordadeira, educadora, fazia teatro e falava francês na mocidade.
 
AAB: Você ilustrou o livro “Gil – Todas as letras”, de Gilberto Gil. Como foi para você receber este convite?
AP: Recebi o convite da Flora Gil e do letrista Carlos Rennó para ilustrar o livro “Todas as Letras Gilberto Gil 80 anos”. Pra mim, um presente dos deuses.
 
AAB: O DJ e produtor musical Ubunto disse que vocês chegaram a conversar sobre um possível disco do Cortejo Afro. Como está essa ideia?
AP: Tenho planos de fazer um disco para o Cortejo Afro utilizando as novas batidas eletrônicas de Ubunto.
 
AAB: Aliás, foi Ubunto quem sonorizou sua exposição "Eternidade Soterrada", na Carmo Johnson Projects, em São Paulo.
AP: Sim, convidei Ubunto, pois vejo nele um dos maiores talentos dessa nova geração.
 
AAB: Você é um dos pioneiros na criação de estampas afrobaianas. Como você percebe esse reconhecimento artístico e como você pretende deixar este legado?
AP: O legado está concluído. Eu e J. Cunha somos autores dessa chamada estética baiana.
 
AAB: Você assina o livro "Histórias contadas em tecido - O carnaval negro baiano", que chegará ao público pelo Instituto Oyá Produções. Fale sobre a importância desse registro.
AP: O livro “Histórias Contadas em Tecidos” será lançado em novembro, no MAM-BA, e conta, de maneira diferente, as histórias dos blocos através dos panos.
 
AAB: Hoje, você está com duas exposições em cartaz: “Histórias em Tecidos – Ancestralidade e Pertencimento”, na Casa do Benin, em Salvador, e "Eternidade Soterrada", na Carmo Johnson Projects, em São Paulo, para além da presença na coletiva Encruzilhada no MAM-BA, que encerrou ontem. Fale sobre a importância de ocupar estes espaços.
AP: “Eternidade Soterrada” é minha primeira grande exposição em São Paulo, com curadoria de Renato Menezes, que hoje integra a equipe de curadoria da Pinacoteca de São Paulo. Estarei também participando da SP Arte pela Carmo Johnson, que hoje está representando o meu trabalho em São Paulo, ao mesmo tempo em que acontece a exposição na Casa do Benin, em Salvador. Para mim é muito importante ocupar esse espaço que sempre foi meu e da minha arte.
 
 
AAB: Você criou o Cortejo Afro há 23 anos e hoje, mais que um bloco de carnaval, ele é um misto de encontros criativos, vivências e espetáculo cênico. Você ansiava por isso no início, ou foi uma coisa que se moldou com os anos?
AP: Quando deixei o Olodum foi justamente para fazer um bloco em que as artes plásticas, os figurinos, tivessem vez, portanto o Cortejo Afro é exatamente isso.
 
AAB: Quais seus planos? O que podemos esperar de Alberto Pitta para os próximos meses?
AP: Meu plano é viver e fazer um Cortejo Afro diferente do que foi até aqui.  Espero.
 
AAB: O Cortejo Afro voltará a desfilar no próximo Carnaval? Você pode nos adiantar algo?
AP: Para o próximo Carnaval, segredo!

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