Rui cogita disputar vaga de deputado federal e abrir espaço para o PP de Leão; Otto sai do sério com ideia

A conta não fecha
Está cada vez mais difícil para o PT fechar uma equação com o senador Otto Alencar (PSD) e com o vice-governador João Leão (PP) dentro do mesmo arco de aliança. De acordo com fontes do Palácio de Ondina, todas as tentativas de acordo têm fracassado. O vice jura de pés juntos que os petistas se comprometeram em deixá-lo assumir os últimos nove meses do Governo da Bahia. Rui e o senador Jaques Wagner (PT), porém, não admitem abertamente o acordo, pois sabem que Otto não digere a ideia.
 
Renúncia ou Licença?
Mesmo cientes da dificuldade, Rui e Wagner procuraram Otto para uma sondagem. Deram ao senador duas opções. Na primeira, Rui renunciaria ao mandato e se candidataria a deputado federal. Na segunda, o governador se licenciaria do cargo e Leão assumiria interinamente. Nesta última opção, Rui explicou a Otto que, caso Leão os traísse, ele voltaria ao cargo e destituiria o vice.
 
Indigestão
Otto reagiu muito mal à conversa e foi categórico: não aceita nenhuma das duas propostas. Com o fim das coligações, o PP do vice é hoje o principal adversário do PSD no estado. E Otto não aceita de jeito nenhum João Leão no Palácio de Ondina. Nem que seja por “apenas” nove indigestos meses.
 
A viagem
O governador Rui Costa está prestes a finalizar sua viagem por países da Ásia e Europa, mas, de concreto, nada trouxe para o estado. Entre reuniões e visitas, o resultado foi no sentido de conversas para instalação de fábricas e discussão sobre parcerias e interesse de investidores. Contudo, sem martelo batido. Nos corredores, parlamentares ainda comentaram que a agenda não contou nem com encontro com autoridades mais robustas dos países visitados. Os mais ácidos ainda questionaram: "Será que não era mais fácil fazer uma viagem de turismo"? Perguntar não ofende.
 
Na conta do povo
Além de Rui, quem também está em viagem oficial é o vice João Leão, que foi para Portugal e França. Juntas, as missões de Rui e Leão custaram, somente em diárias, a bagatela de mais de meio milhão de reais.
 
Calma lá
Pelo menos três deputados estaduais do PP confidenciaram a colegas que não vão deixar, de cara, o partido em caso de ingresso do presidente Jair Bolsonaro. Apesar da má avaliação do capitão no estado e da relação com o governador Rui Costa, eles avaliam que o partido ainda conta com uma parcela robusta do fundo eleitoral, o que pode pesar muito no próximo ano. Argumentam que seria arriscado trocar o PP por um partido de menor estrutura ou outro que esteja muito "inchado", o que poderia comprometer a possibilidade de reeleição.
 
Inferno astral
Dividido entre PP e PL, Bolsonaro conseguiu a proeza de desagradar a gregos e troianos, avaliam integrantes de ambas as siglas. Embora as conversas com o PP estejam muito mais avançadas, pepistas não gostaram nada de saber da abertura de diálogo do presidente com o PL. Os liberais, por sua vez, estão chateados com a indefinição, porque, dizem, eles é que foram procurados pelo capitão.
 
Queda de braço
Os deputados federais da base de Rui na Bahia estão entre a cruz e a espada na discussão em torno da PEC dos Precatórios. Por um lado, o governador Rui Costa entrou em campo para pedir que votem contra a medida sob o argumento de que o governo baiano tem um precatório do Fundef a receber. Rui pediu até ao senador Otto Alencar para falar com a base. Por outro, prefeitos estão pressionando seus parlamentares para votarem a favor do texto, pois, segundo eles, daria um alívio nas contas dos municípios com o parcelamento previdenciário em 240 meses previsto na PEC.
 
Ultimato
Os deputados estaduais Roberto Carlos e Euclides Fernandes, ambos do PDT, têm até novembro para definirem seu futuro. A direção do partido na Bahia deu à dupla dois caminhos: optar por apoiar os candidatos majoritários do partido na Bahia e no Brasil ou ficar com o governo. Neste segundo caso, terão que deixar a legenda, que no estado deve apoiar ACM Neto.
 
1 a 0
Fontes do Palácio de Ondina confidenciaram que a abertura dos parques estaduais em Salvador só ocorreu pelo fato de o governador Rui Costa ter ficado insatisfeito após ter tomado uma "bola nas costas" do prefeito Bruno Reis (DEM/ UB). Enquanto os equipamentos municipais já haviam sido reabertos, inclusive em boas condições, os estaduais seguiam fechados e com problemas de infraestrutura. Informado por um auxiliar da situação, Rui teria ordenado que os parques fossem reabertos, mesmo sem que houvesse uma preparação prévia para tal.
 
2 a 0
O ápice da irritação de Rui foi quando a prefeitura anunciou a abertura dos parques do município também aos domingos. Resultado: os equipamentos do estado abriram, mas em condições ruins.
 
Crítica geral
Um grupo ligado ao Parque de Pituaçu tem feito queixas públicas recorrentemente para cobrar do governo uma solução para o equipamento, que é muito utilizado tanto pela população do entorno quanto por ciclistas e praticantes de remo, por exemplo. Há ainda uma preocupação da comunidade em relação aos comerciantes e às atividades que lá existem. Eles reclamam, inclusive, que os problemas já veem desde muito antes da pandemia e se agravaram com o fechamento do espaço, que não teve qualquer medida de conservação.
 
Pano de fundo
Nos bastidores, o que se comenta é que a degradação do parque é "proposital" e faz parte do plano do governo do estado de privatizar o equipamento. A avaliação é que seria muito mais fácil justificar a transferência para algum ente privado com o parque em condições ruins. Na comunidade, a ideia é chamada de "plano maligno".

A coluna Alô Alô Política é publicada às sextas, sempre ao meio dia, nos portais CORREIO e Alô Alô Bahia. Também pode ser conferida através do endereço www.aloalopolitica.com e do Instagram @aloalopolitica
 
Foto: Divulgação.

NOTAS RECENTES