O Dia D da CPI dos respiradores e muito mais. Leia a coluna Alô Alô Política desta semana

Dia D dos respiradores

O tema dos respiradores vai voltar à pauta na próxima semana com a apresentação do relatório, na quinta-feira (16), da CPI da Covid tocada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. O deputado potiguar Kelps Lima, presidente do colegiado, deve inclusive vir à Bahia antes do Natal para entregar o relatório aos parlamentares baianos da oposição, que terão nas mãos um "prato cheio" para atacar o governo Rui Costa (PT). Integrantes da CPI revelaram que, nesta reta final de apurações, novos fatos surgiram a partir de depoimentos e documentos, todos relacionados ao Governo da Bahia, que deve ter ao menos três indiciados pelo colegiado.

 

Bonitão retou

Por falar na CPI, o vice-governador João Leão (PP) não gostou nada de ser citado por Kelps Lima. O deputado potiguar disse em uma entrevista que o pepista sabia que havia uma empresa que fabricava respiradores mais baratos, mas, ainda assim, o governo firmou contrato com a Hempcare. A declaração deu a entender que Leão sabia do "esquema fraudulento", como tem dito Kelps, o que irritou o vice-governador. A aliados, Leão disse que acompanhou o processo e "manifestou certo temor" com o envolvimento de seu nome, inclusive com preocupação de ser incluído no relatório final da CPI. Será?

 

Papagaio anônimo

Desde que virou ministro, o pernambucano João Roma tem lutado para ser mais conhecido da população baiana. O esforço - que já lhe rendeu o apelido de papagaio de pirata da República de tanto que aparece nas fotos ao lado do presidente Bolsonaro - não parece dar resultado. Em recente evento no interior da Bahia, João Roma, conhecido por usar o colete do ministério como uma espécie de farda, ficou sem graça diante de uma situação para lá de inesperada. Uma senhora, sem saber que se tratava do Ministro, olhou para o colete e perguntou se ele era o fotógrafo da festa. Xi...

 
O golpe tá aí...

Tem causado estranheza a tentativa da bancada governista na Assembleia Legislativa de minar a oposição dentro da CPI da Coelba. Os integrantes do bloco oposicionista decidiram retirar as assinaturas de apoio ao colegiado, que classificaram como "chapa branca" e um "faz de contas". O governo quer emplacar presidência e relatoria da CPI, o que a oposição não aceita. O imbróglio tem causado desconfiança até mesmo entre governistas. Nos corredores do legislativo, a pergunta que não quer calar é: o que querem os deputados Rosemberg Pinto (líder do governo) e Tum (autor do pedido de criação da CPI)? "Quem souber morre", disse em tom irônico um deputado.

 

Entre quatro paredes

O que se comenta é que alguns deputados têm interesses individuais para tratar com a Coelba, seja em suas bases eleitorais ou até mesmo com questões empresariais. O fato é que a CPI ainda nem foi instalada, mas tem gerado tanta confusão que dificilmente dará algum resultado efetivo. "Sem a oposição, a CPI perde credibilidade", diz um governista.

 

Sete anos depois…

O anúncio feito pelo presidente da ALBA, Adolfo Menezes, de que o governo do estado vai conceder um aumento de 19% aos servidores tinha tudo para render louvores ao governador Rui Costa. Mas, na prática, não foi bem assim. A questão é que Rui passou seus dois mandatos sem dar aumento ao funcionalismo, nem mesmo a reposição da inflação, situação que causou muita insatisfação entre diversas categorias que historicamente votam com o PT. Agora, no último ano de governo, Rui resolveu conceder um reajuste. A medida do governador é classificada como "meramente eleitoreira".

 

Língua afiada

As críticas vieram até mesmo de parlamentares que são ligados a categorias de servidores. "Não representa valorização dos servidores. Pelo contrário, Rui passou seus dois governos se sentindo orgulhoso por não dar reajuste ao funcionalismo", disse um deputado.

 

Recordar é viver

Vale recordar que o governador já ganhou a alcunha de “inimigo do serviço público”. Um sindicato chegou até a questionar o que Rui tinha contra o funcionalismo. Em 2014, a então senadora Lídice da Mata (PSB), hoje deputada federal e aliada do governo, disse, num debate da disputa pelo Palácio de Ondina, que Rui era “o inimigo número um do funcionalismo público”. “Todo mundo sabe que ele é conhecido como inimigo número 1 do servidor público, por falta de diálogo nas negociações com o funcionalismo”, afirmou ela, à época.

 

Encruzilhada

A filiação do presidente Jair Bolsonaro tem provocado rebuliço no PL na Bahia. Dos cinco deputados federais do partido, três já falam em apoio à candidatura de ACM Neto ao governo do estado. Os bolsonaristas e "terrivelmente evangélicos" Abílio Santana e Alex Santana e Raimundo da Pesca tiveram encontros recentes com Neto e pretendem apoiá-lo para o governo. Alex, inclusive, foi ao lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de Salvador na semana passada.

 

Efeito manada

Integrantes do partido no estado querem ser liberados para estarem no palanque de Neto. Caso sejam obrigados a apoiarem uma eventual candidatura ao governo do ministro bolsonarista João Roma, parlamentares já falam em uma debandada do partido. "Uma coisa é votar em Bolsonaro, outra é João Roma", confidenciou um cacique da legenda, em conversa com a coluna.

 

Educação escanteada

A crise na educação da Bahia não atinge apenas o ensino básico. Nos corredores da ALBA, parlamentares de governo e oposição têm manifestado preocupação com a situação das universidades estaduais, que, segundo eles, enfrentam um momento quase de sucateamento. Falta dinheiro para manutenção básica, além dos sucessivos contingenciamentos de recursos, que afetam tanto os professores quanto as pesquisas. "Se nacionalmente Bolsonaro 'maltrata' as universidades federais, Rui faz o mesmo com as estaduais", disse um parlamentar que acompanha o caso.

 

Novela sem fim

A novela em torno da venda do terreno do antigo Centro de Convenções, aprovada pela ALBA, promete ainda novos capítulos. A questão é que o imóvel foi dado como garantia em um processo trabalhista movido pelo Sindicato dos Empregados da Bahiatursa contra o órgão estadual. O sindicato já avisou que não vai aceitar a alienação do centro e promete judicializar a autorização da venda. Após anos de abandono, polêmicas e prejuízos causados ao turismo, o imbróglio em torno do antigo centro parece ainda estar longe do fim. Bem longe.

 

A coluna Alô Alô Política é publicada às sextas, sempre ao meio dia, nos portais CORREIO e Alô Alô Bahia. Também pode ser conferida através do endereço www.aloalopolitica.com e do Instagram @aloalopolitica.

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