O alerta vermelho, Rui zangado, o candidato ofuscado e a vanguarda conquistense

Alerta vermelho
Caciques do grupo governista na Bahia já avisaram ao governador Rui Costa (PT) que a debandada dos prefeitos, que tem irritado o chefe do Executivo, deve se intensificar. Pelas contas, confidenciam deputados, ao menos 20 prefeitos devem migrar para a base do ex-prefeito de Salvador ACM Neto somente nos próximos dias. Pontuaram, entretanto, que o número pode ser ainda maior, diante de possíveis surpresas, como ocorreu nesta semana com o prefeito de São Félix do Coribe, Chepa Ribeiro (PP), cuja mudança causou espanto na cúpula petista.
 
Estratégia
Em muitas cidades da Bahia, um fenômeno tem chamado a atenção de observadores da política baiana. Enquanto muitos prefeitos optam por ficar na base do governo, os vices e vereadores decidiram marchar com ACM Neto. Ou seja: prefeitos acabam ficando isolados no apoio ao PT e perdem seus maiores soldados na conquista do voto que são os vereadores.
 
Rui zangado I
Por falar em Chepa Ribeiro, provocou a mais profunda ira do governador Rui Costa o desembarque do prefeito da base governista. O caso foi considerado emblemático no meio político, porque recentemente Rui foi para uma agenda na região e dormiu na casa do prefeito. E outro fato curioso foi na ligação que Rui fez a Chepa. “Saudade mata, Chepa”, disse o governador, que recebeu do prefeito uma franca e objetiva: “Se eu for o remédio, o senhor vai morrer”.
 
Troco vem a galope
Entre governistas e oposicionistas, parlamentares são unânimes quando falam do assunto: o governador está agora colhendo o que plantou quando sempre manteve tratamento hostil aos prefeitos. Dizem que a resposta de Chepa Ribeiro é a que melhor representa esse sentimento nos gestores municipais, que sempre se queixaram de darem com a cara na porta da Governadoria.
 
Candidato ofuscado
Observadores da cena política dizem que já apareceu o primeiro indício de que a campanha de Jerônimo Rodrigues começou a fazer água. O grande sinal disso é que o governador Rui Costa iniciou um movimento de aparecer mais que seu apadrinhado, mostrando obras e realizações de sua gestão em detrimento de apresentar o seu postulante. Nas redes sociais, Rui deixou Jerônimo de lado para publicizar as ações de seu governo, como se fosse ele o candidato. Observam políticos experientes que o mesmo aconteceu com a candidata de Rui à Prefeitura de Salvador, Major Denice em 2020, quando o governador praticamente ignorou a existência dela em suas redes.
 
Rui zangado II
O governador Rui Costa está na bronca com a equipe de campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) por conta da mobilização para os eventos no interior. Em alguns casos, o número de pessoas tem sido muito pequeno, o que tem chateado Rui. Um exemplo foi o ato marcado para Jequié, que foi adiado. Segundo a campanha, por causa da chuva, mas o tempo na cidade estava firme. No meio político, os casos de eventos vazios viraram piada e alguns já chamam o PGP de "pouca gente participando".
 
Vanguarda
No evento de ACM Neto em Vitória da Conquista, um grupo de políticos comentava uma máxima que tem sido falada na cidade: Conquista antecipa o que acontece na Bahia. Explicando: o município do Sudoeste baiano teve uma longa hegemonia de governos do PT e, em 2016, chegou ao fim com a eleição de Herzem Gusmão, falecido no ano passado. Neste sentido, dizem os políticos que participavam da conversa, será a vez do estado mudar o governo após os 16 anos de gestões petistas.
 
Fogueira
O valor empenhado pela Bahiatursa em convênios e contratos para financiar festas juninas pelo interior do estado deve chegar à casa dos R$ 100 milhões. Passado um mês dos eventos, o governo ainda publica em Diário Oficial registros dos atos administrativos que estouraram a boca do balão orçamentário. O valor é quatro vezes superior ao orçamento que foi destinado à Superintendência para todo o ano de 2022, na ordem de R$ 23 milhões. A pergunta que não quer calar é como a turma vai fazer para pular a fogueira na hora da prestação de contas. Um dos caminhos apontados internamente é empurrar com a barriga e deixar o residual para o próximo ano valendo-se do DEA - Despesa de Exercício Anterior. A prática, contudo, tem sido recriminada pelo TCE, cujo relatório das contas de 2021 aponta que Rui fez uso indefinido e abusivo do recurso.
 
Freio na farra I
A farra dos convênios segue a todo vapor nas cercanias da Conder. Depois de fazer um cancelamento em série, o governador Rui Costa iniciou uma nova gambiarra administrativa para requentar as promessas não cumpridas e tentar conter a debandada de prefeitos. As manobras, porém, estão agora sob os olhares atentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que esta semana recebeu uma denúncia do líder da oposição na Assembleia, deputado Sandro Régis, com extensa lista de ilegalidades.
 
Freio na farra II
Em Olindina, por exemplo, o intervalo entre a assinatura do convênio e o início das obras foi de apenas seis dias. O problema é que em seis dias não há tempo hábil sequer para lançar um edital de pregão eletrônico (que exige prazo de oito dias para recebimento de propostas) e muito menos para vencer todas as etapas burocráticas e necessárias.
 
Jogo sem regras
Já em Pé de Serra, o processo licitatório foi adiante mesmo depois de o município ter perdido o objeto e dotação orçamentária previstos no convênio cancelado pelo governador. Para piorar, a Conder optou pelo famoso “jeitinho” e orientou a prefeitura a publicar uma errata, como se tratasse de erro meramente material para que fossem “aproveitadas” as licitações, feitas a partir de convênio já anulado, em uma nova assinatura. A orientação foi seguida e o processo correu como se o jogo não tivesse regras. Tudo à revelia da lei. Agora, os envolvidos terão que dar explicações aos órgãos de controle.
 
Foto: divulgação.

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