Jovens de 13 a 16 anos podem participar gratuitamente do Projeto Pedal Bicicross, que está com 46 vagas abertas em Salvador. As aulas de iniciação ao BMX, modalidade olímpica do ciclismo, acontecem na Pista de Bicicross do Corsário, na orla da capital baiana. Há dez anos, a iniciativa utiliza o esporte como ferramenta de inclusão social e atualmente atende cerca de 200 alunos.
O projeto recebe investimento superior a R$ 1 milhão do Governo da Bahia, por meio da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). Os recursos são usados na contratação de profissionais, compra e renovação de bicicletas e equipamentos de proteção, além do custeio de viagens para competições. Cerca de 80% dos participantes são estudantes da rede pública e moradores de regiões periféricas. Pessoas com deficiência também fazem parte das atividades, com acompanhamento da coordenação pedagógica.
Para participar, é necessário estar matriculado em uma instituição de ensino e apresentar atestado médico que comprove aptidão para a prática esportiva. Além das aulas, os alunos podem participar de competições nacionais e internacionais. Alguns jovens que começaram no projeto seguiram no bicicross e atualmente disputam provas em nível nacional.
O diretor-geral da Sudesb, Vicente Neto, destaca a participação da Federação Baiana de Ciclismo e da Associação de Bicicross de Salvador na realização das atividades. Segundo ele, também existe a necessidade de articulação com as prefeituras para levar a modalidade a outras cidades do estado. “Além da prática esportiva e corporal, eles têm a possibilidade de competições dentro e fora do Brasil. É um projeto de inclusão social pelo esporte, é bom para o corpo, é bom para a cabeça e, ao mesmo tempo, a gente propicia o caminho para o alto rendimento, garantindo aqui muitas medalhas dentro e fora da Bahia”.
Durante as aulas, o projeto fornece bicicletas, capacetes, luvas e outros equipamentos de proteção sem custo para os participantes. O professor Givaldo Nascimento explica que os treinamentos começam com movimentos básicos, como o zigue-zague, e avançam para manobras nas rampas. Segundo ele, o acompanhamento também aponta mudanças no comportamento e no desempenho escolar dos alunos. “Nós notamos que os meninos chegam aqui bastante afoitos, bem agitados, e com o tempo eles vão aprendendo a ter mais calma e obedecer aos comandos. Nós pedimos a frequência na escola e conversamos com os pais, e eles estão melhorando. Aqui a gente exige que estude e que seja uma criança boa na escola, em casa e aqui conosco”.
Para Denivan do Nascimento, presidente da Associação de Bicicross de Salvador, a parceria com o Governo da Bahia é importante para a continuidade das atividades. “O esporte e a educação têm que andar juntos. E essa parceria realmente está funcionando”. Entre as famílias atendidas está a de Jurisandra Araújo Almeida, de 50 anos, moradora de Vila Canária, que conheceu o projeto pela internet e matriculou o filho João Vitor, que é autista. “Meu filho é autista e gosta muito de fazer esporte. Ele se desenvolveu bastante, acorda animado para vir pras aulas. Ele aprendeu o respeito pelo próximo, a educação dele mudou bastante, espero no futuro próximo que ele seja um atleta do cross”. Já Paulo Henrique Fernandes, de 12 anos, morador de Pituaçu e aluno do projeto há cerca de sete meses, também relata mudanças. “Percebi que me mudou totalmente, até minha forma de entender as coisas”.
Os interessados devem comparecer à Pista de Bicicross do Corsário com atestado médico, foto 3×4, comprovante de residência, documentos de identidade e CPF do aluno e do responsável, além do comprovante de matrícula escolar.