Chiaki Ishii morreu nesta sexta-feira (16), aos 85 anos. Pioneiro do judô brasileiro, ele entrou para a história ao conquistar a primeira medalha olímpica do país na modalidade, com o bronze nos Jogos de Munique, em 1972. Um ano antes, também havia garantido o bronze no Campeonato Mundial de Ludwigshafen, na então Alemanha Ocidental, tornando-se o primeiro brasileiro a subir ao pódio da competição. A causa da morte não foi divulgada.
“Hoje, o judô brasileiro se despede de uma de suas maiores referências. Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações. Sua contribuição jamais será esquecida. Que sua memória permaneça viva em nosso esporte e continue inspirando todos aqueles que vestem um judogi”, afirmou Paulo Wanderley, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).
Nascido em Ashikaga, no Japão, Ishii desembarcou no Brasil em 1964, aos 22 anos, depois de não conseguir uma vaga na seletiva japonesa para os Jogos Olímpicos daquele ano. Em busca de novas oportunidades, trabalhou inicialmente como agricultor em uma colônia japonesa em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, antes de retomar a carreira no judô. Em 1969, naturalizou-se brasileiro e, dois anos depois, conquistou a medalha de bronze no Mundial de Ludwigshafen, resultado inédito para o país.
Além das conquistas olímpica e mundial, Ishii foi campeão dos Jogos Pan-Americanos em quatro ocasiões. Mesmo depois de deixar as competições, continuou contribuindo para o desenvolvimento da modalidade por meio da formação de atletas.
Em nota de pesar, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) ressaltou a importância do trabalho realizado pelo judoca após sua aposentadoria como competidor. “Seu legado, porém, vai muito além dos resultados como atleta. Na academia que manteve na Lapa, em São Paulo, Ishii formou e influenciou judocas que levaram adiante sua contribuição para a modalidade. Neste momento de profunda tristeza, o COB expressa suas sinceras condolências aos familiares, amigos, alunos e a toda a comunidade do judô”, declarou a entidade.
Integrante do Hall da Fama do COB, Ishii também teve papel importante na formação de atletas que conquistaram medalhas olímpicas. Sua trajetória ainda inspirou as filhas, Tânia Chie Ishii e Vânia Yukie Ishii, que seguiram no judô e representaram o Brasil em edições dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, Sydney, em 2000, e Atenas, em 2004.
Em 2023, o judoca recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, concedido a atletas brasileiros que se destacam por suas conquistas e pelo legado deixado ao esporte. Ishii também alcançou a graduação Kodansha 9º Dan, uma das mais altas distinções do judô nacional, e recebeu a Ordem do Mérito da Confederação Brasileira de Judô.

Chiaki Ishii — Foto: Divulgação/COB