A forma como o mundo conta o tempo vai mudar a partir de 20 de maio de 2027. A Conferência Geral de Pesos e Medidas aprovou, nesta quinta-feira (15), o fim do chamado “segundo bissexto”, uma correção usada para manter os relógios alinhados à rotação da Terra. A decisão antecipa uma mudança que, inicialmente, estava prevista para ocorrer até 2035.
Para entender o ajuste, é preciso distinguir duas formas de medir o tempo. Os relógios atômicos, que servem de base para o horário oficial, funcionam com extrema regularidade. Já a Terra apresenta pequenas variações na velocidade de rotação, em virtude de fatores como movimentos no núcleo, nos oceanos e na atmosfera, além da ação das marés. Por isso, o tempo indicado pelos relógios pode se afastar daquele calculado a partir do movimento do planeta.
O segundo bissexto funciona como uma correção nessa diferença. Pelo sistema atual, um segundo pode ser acrescentado ou retirado do Tempo Universal Coordenado, conhecido pela sigla UTC, para impedir que a distância entre as duas contagens alcance um segundo. Diferentemente do ano bissexto, o mecanismo não acrescenta um dia ao calendário.
Embora pareça insignificante, essa alteração pode provocar falhas em sistemas que dependem de sincronização precisa, como redes de telecomunicações, transportes e distribuição de energia. Uma preocupação é a possibilidade de ser necessário retirar um segundo da contagem, procedimento nunca realizado e considerado arriscado para estruturas tecnológicas que não estão preparadas.
Com a nova regra, o horário oficial poderá se afastar gradualmente do tempo associado à rotação terrestre, dentro de um limite de uma hora. Isso permitirá manter a contagem contínua por vários séculos, segundo o Bureau Internacional de Pesos e Medidas. A decisão não significa adiantar ou atrasar os relógios em uma hora em 2027: a mudança encerra as pequenas correções para tornar a medição do tempo mais estável.