A tragédia do Bateau Mouche, naufrágio que matou 55 pessoas na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, na noite de Réveillon de 1988, vai ganhar um filme dirigido por Felipe Vellas. A produção é uma parceria entre as produtoras Boutique Filmes e Anonymous Content Brazil, com roteiro de Gustavo Lipsztein, responsável também pelas séries de sucesso da Netflix “Emergência Radioativa” e “O Caso Evandro”, ambas inspiradas em tragédias brasileiras reais.
Vellas volta a trabalhar com a Boutique Filmes após o sucesso internacional de “Elize: Sombras de uma Mulher”, produção que também chegou ao catálogo da Netflix. O filme alcançou o primeiro lugar no ranking global de longas-metragens de língua não inglesa da plataforma, com 17,4 milhões de visualizações em uma semana, além de entrar no Top 10 em 90 países.
O novo longa vai retratar os momentos anteriores e posteriores ao naufrágio do Bateau Mouche IV, com foco nas histórias humanas por trás da tragédia. A narrativa acompanhará passageiros, tripulantes e familiares durante aquela noite e os acontecimentos que se seguiram.
Para Gustavo Mello, sócio da Boutique Filmes, o naufrágio permite retratar um momento específico da história brasileira, marcado pelas expectativas em torno da redemocratização. “Acreditamos que essa história captura o Brasil em um momento muito particular, entrando na Nova República com um sentimento de esperança e a crença em um novo país”, disse, em entrevista à revista Variety.
“É quando esse acidente trágico acontece, dentro de um sistema de irresponsabilidade. Portanto, é uma história que diz muito sobre o Brasil, mas também sobre as relações humanas, à medida que vemos os personagens passarem por uma situação tão dramática”, completou.
A recriação do naufrágio em grande escala é outro desafio da produção. De acordo com Mello, a equipe trabalha para combinar efeitos práticos e efeitos visuais digitais (VFX), buscando alcançar um alto padrão artístico. Já Vellas afirmou que o filme pretende lançar luz sobre histórias que ainda não foram completamente contadas ou compreendidas. Para o diretor, o caso envolve vítimas, familiares, pessoas comuns, celebridades e personagens que assumiram diferentes papéis ao longo dos acontecimentos.
“É um acontecimento que nunca chegou verdadeiramente a uma conclusão. O filme pretende, portanto, apresentar a perspectiva daqueles diretamente afetados pelo acidente, tanto naquela noite quanto nos acontecimentos posteriores, que se estenderam por mais de três décadas”, acrescentou.