O passageiro que fez um cruzeiro marítimo no Brasil durante a temporada 2025/2026 desembolsou, em média, R$ 6.108,50 pela viagem. O valor considera exclusivamente a compra da cabine, sem incluir despesas extras a bordo ou gastos nas cidades visitadas. Os dados foram divulgados pelo portal World Cruises, com base em um estudo da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).
De acordo com o levantamento, a duração média das viagens também diminuiu. Na temporada 2025/2026, os passageiros permaneceram embarcados por 4,2 dias, contra 4,6 dias no ciclo anterior. A mudança está relacionada ao crescimento da oferta de minicruzeiros, com roteiros de três e quatro noites operados por companhias como Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros.
Apesar de o valor pago pela cabine representar a principal despesa do viajante, o impacto econômico dos cruzeiros vai além das embarcações. Segundo o estudo, os gastos dos passageiros e tripulantes nas cidades de embarque, desembarque e escala movimentaram R$ 2 bilhões durante a temporada de cabotagem. O montante inclui despesas com alimentação, compras, transporte, hospedagem e serviços turísticos.
Em média, cada passageiro gastou R$ 800,98 durante as paradas nas cidades visitadas. Já nos destinos utilizados para embarque e desembarque, onde há maior possibilidade de despesas com hospedagem e deslocamentos adicionais, o gasto médio chegou a R$ 962,55 por pessoa. Os setores de alimentação e bebidas e de comércio varejista estiveram entre os principais beneficiados.
No conjunto das operações nacionais e internacionais, a indústria de cruzeiros movimentou R$ 4,76 bilhões na economia brasileira na temporada 2025/2026, segundo a FGV e a CLIA Brasil. A atividade esteve associada a cerca de 72 mil postos de trabalho e à arrecadação de tributos.
O perfil dos viajantes também ajuda a dimensionar o potencial econômico do setor. A pesquisa aponta que 57,2% dos cruzeiristas brasileiros têm renda familiar mensal superior a R$ 10 mil. Entre os passageiros estrangeiros que navegam pelo país, a proporção chega a 65%.
Na Bahia, Salvador se destaca como uma das principais portas de entrada para o turismo marítimo. A temporada 2025/2026 terminou em abril com cerca de 230 mil cruzeiristas desembarcando no estado, considerando as operações na capital e em Ilhéus, além de destinos atendidos por operações turísticas em outras localidades baianas. Segundo a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), a movimentação injetou aproximadamente R$ 115 milhões na economia estadual.
A capital baiana recebeu visitantes interessados em atrações como o Pelourinho, o Mercado Modelo, o Elevador Lacerda e o Farol da Barra, além da gastronomia e da cultura local. A circulação de turistas contribui para movimentar restaurantes, lojas, transportadoras, guias e outros serviços ligados à atividade turística.
Para a temporada 2026/2027, iniciada neste mês, a expectativa é de continuidade desse fluxo. A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) prevê a chegada de aproximadamente 175 mil passageiros aos portos de Salvador e Ilhéus até abril de 2027. Em Salvador, a programação inclui dezenas de escalas de navios, reforçando a importância do destino para o turismo de cruzeiros no Nordeste. O primeiro navio, o World Odyssey, que funciona como universidade flutuante, chegou à capital baiana na última quarta-feira (7).