Campanha contra pirataria no Brasil terá apoio de TVs, cinemas e empresas de telecomunicações

Campanha contra pirataria no Brasil terá apoio de TVs, cinemas e empresas de telecomunicações

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Eny Miranda

Publicado em 12/10/2026 às 18:51

O Brasil lançará, no fim de outubro, uma campanha de conscientização contra a pirataria audiovisual. Anunciada pela Federação da Indústria e Comércio Audiovisual Brasileira (FICA) durante o RioMarket, evento de negócios do Festival do Rio, a iniciativa terá veiculação em emissoras de TV aberta e por assinatura, rádios, publicidade exterior e salas de cinema.

A ação conta com o apoio de empresas dos setores de mídia, telecomunicações e exibição cinematográfica, que disponibilizarão gratuitamente espaços publicitários em suas plataformas. Criada sem custos pela agência brasileira 11:21, a campanha terá uma primeira etapa em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três estados mais populosos do país, com previsão de expansão nacional. A informação foi divulgada pela revista Variety.

“O roubo de propriedade intelectual é um problema que precisa ser enfrentado em todo o mundo. A perda de receita é enorme e afeta todo o ecossistema da indústria audiovisual. O que é ainda mais preocupante é que as pessoas comuns não percebem as implicações de suas ações quando usam, por exemplo, uma TV box ilegal”, afirmou Walkiria Barbosa, presidente da FICA, à publicação internacional.

A iniciativa também tem como parceira o Disque Denúncia, serviço brasileiro que permite comunicar suspeitas de atividades criminosas anonimamente. Segundo Gustavo Bastos, CEO da agência 11:21, a campanha usará a linguagem de filmes e séries para alertar sobre os riscos da pirataria. A estratégia inclui personagens de piratas inspirados em produções audiovisuais do gênero, em uma tentativa de tornar a comunicação mais próxima do público.

Crédito: 11:21

“As campanhas antipirataria geralmente adotam um tom de aplicação da lei, enfatizando a repressão, o que tende a afastar o público. Escolhemos uma abordagem cinematográfica, inspirando-nos em produções sobre piratas”, explicou Bastos.

De acordo com Jonas Antunes Couto, presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), um estudo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que a pirataria provocava perdas anuais de R$ 12 bilhões no país, o equivalente a US$ 2,4 bilhões na cotação considerada à época. O levantamento também identificou práticas de pirataria em cerca de 4,5 milhões de domicílios brasileiros.

As chamadas TV boxes ilegais, em sua maioria contrabandeadas da Ásia, estão entre as principais preocupações do setor. Conectados à televisão e à internet, esses dispositivos permitem acessar filmes, séries, transmissões esportivas ao vivo e outros conteúdos sem autorização dos detentores dos direitos autorais. Com preços relativamente baixos, podem oferecer acesso a grandes catálogos de conteúdo pirata, dispensando assinaturas legítimas de serviços de streaming e TV paga.

Além dos prejuízos financeiros para operadoras de TV por assinatura, plataformas de streaming, produtoras, distribuidoras e exibidoras, os dispositivos ilegais também podem representar riscos à segurança digital. Alguns podem conter programas maliciosos capazes de expor os usuários ao roubo de dados, ao acesso não autorizado a informações pessoais e a outras ameaças cibernéticas.

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