A cientista da computação e engenheira de software norte-americana Margaret Hamilton, uma das profissionais responsáveis pelo desenvolvimento do sistema que guiou as missões Apollo à Lua, morreu aos 90 anos. Seu trabalho ganhou destaque especialmente pela participação na Apollo 11, missão que levou os primeiros seres humanos à superfície lunar, em 1969.
Nascida em 17 de agosto de 1936, em Paoli, Indiana, nos Estados Unidos, Margaret começou a carreira como matemática e ingressou no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde passou a trabalhar em projetos ligados à exploração espacial. Na década de 1960, integrou o laboratório que desenvolvia os programas de computador usados pelo programa Apollo.
À frente de uma equipe do MIT, Margaret Hamilton foi responsável pelo desenvolvimento do software de voo do Apollo Guidance Computer, computador utilizado pelos módulos lunares e de comando das missões Apollo. Em uma época em que a programação ainda era uma área relativamente nova, ela ajudou a estabelecer métodos para criar sistemas capazes de funcionar em situações críticas, com pouca margem para erros.
Um dos episódios mais conhecidos de sua trajetória aconteceu durante o pouso da Apollo 11. Pouco antes de o módulo lunar Eagle tocar a superfície da Lua, o computador de bordo recebeu uma quantidade de informações que ameaçava sobrecarregar o sistema. Graças à forma como o software havia sido projetado, o computador conseguiu priorizar as tarefas essenciais para o pouso, enquanto outras atividades eram deixadas de lado.
A decisão foi fundamental para que Neil Armstrong e Buzz Aldrin continuassem a aproximação e realizassem o pouso histórico. O episódio também se tornou um exemplo da importância do software desenvolvido pela equipe de Hamilton em uma missão na qual qualquer falha poderia ter consequências fatais.
Margaret Hamilton também é lembrada por ter ajudado a consolidar o conceito de engenharia de software. Na época, o desenvolvimento de programas de computador ainda era visto como uma atividade secundária em relação ao hardware. Hamilton defendia que o software de sistemas complexos precisava ser tratado com o mesmo rigor aplicado às demais áreas da engenharia.
Uma das imagens mais conhecidas de Hamilton mostra a cientista ao lado de uma pilha de páginas contendo o código desenvolvido para o programa Apollo. A fotografia se tornou um símbolo da participação da computação e das mulheres na ciência e tecnologia na conquista espacial.
Depois de deixar o MIT, Hamilton fundou a empresa Higher Order Software e, posteriormente, a Hamilton Technologies, dedicada ao desenvolvimento de sistemas e metodologias para engenharia de software. Seu trabalho foi reconhecido décadas depois de sua participação no programa Apollo. Em 2016, Margaret Hamilton recebeu do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das mais importantes honrarias civis do país.
Margaret Hamilton deixa como legado não apenas sua contribuição para uma das maiores conquistas da história da exploração espacial, mas também uma influência duradoura sobre a maneira como sistemas de software são desenvolvidos. Seu trabalho ajudou a demonstrar, ainda nos primórdios da computação, que linhas de código poderiam ser tão decisivas quanto foguetes e equipamentos físicos para colocar seres humanos em segurança na Lua.
Hamilton morreu em 30 de setembro de 2026, em um hospital de Cambridge, Massachusetts. A informação foi confirmada pelo MIT e por sua filha, Lauren Hamilton. A causa da morte não foi divulgada. Ela deixa a filha, Lauren Hamilton; o genro, Richard Selesnick; dois netos e quatro bisnetos.