Antes de ser MAM: livro resgata história de antiga fábrica de rapé no Solar do Unhão, em Salvador

Antes de ser MAM: livro resgata história de antiga fábrica de rapé no Solar do Unhão, em Salvador

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 05/10/2026 às 14:26

A relação entre empresários suíços e o Brasil, iniciada ainda no período colonial, é tema de uma pesquisa inédita da historiadora suíça Sylvie Doriot Galofaro. O resultado está no livro “Do diamante ao tabaco: a primeira indústria suíça no Brasil (1736-1913)”, que será lançado em Salvador no dia 13 de outubro, a partir das 15h, com palestra da autora e sessão de autógrafos no Museu Geológico.

A obra recupera a trajetória de famílias originárias de Neuchâtel, na Suíça, como os Meuron, Pury, Pourtalès e Borel, que passaram a ter participação importante na história econômica do Brasil. A saga começou após o terremoto que devastou Lisboa, em 1755, quando contratos firmados com a Coroa portuguesa levaram esses negociantes a atuar na extração de madeira e diamantes, entre outras atividades.

Com o passar dos anos, os suíços ampliaram sua presença no país e estabeleceram casas de comércio e unidades de manufatura em cidades como Salvador, Rio de Janeiro e Recife, dando origem ao que a pesquisa identifica como a primeira industrialização suíça no Brasil.

Fábrica em Salvador é destaque

Um dos principais capítulos da pesquisa é dedicado à Fábrica Imperial Arêa Preta, especializada na produção de rapé e fundada em Salvador, em 1817, por Auguste-Frédéric de Meuron. O prédio histórico que abrigou a fábrica é hoje sede do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), no Solar do Unhão.

A atividade industrial iniciada na capital baiana ganhou posteriormente uma filial no Rio de Janeiro. Em 1832, uma unidade foi instalada no Andarahy Pequeno, região que atualmente integra o bairro da Tijuca. A pesquisadora percorreu documentos preservados tanto na Europa quanto no Brasil e realizou dezenas de entrevistas para reconstruir o processo de instalação e expansão dessas empresas suíças no país.

Outro personagem central do livro é David de Pury, também conhecido como David Purry. A publicação acompanha sua trajetória e a de outros negociantes e empresários, ao mesmo tempo em que aborda uma questão histórica que permanece atual, que é o uso de mão de obra escravizada em fábricas e propriedades rurais de suíços no Brasil.

A publicação reúne numerosas imagens de época, muitas delas pertencentes ao acervo do Instituto Flávia Abubakir, que mantém atuação em Salvador e em Crans-Montana, na Suíça. Sylvie Doriot Galofaro é diretora da Fondation Flávia Abubakir.

Com base em documentação histórica e registros visuais, o livro apresenta um recorte da presença suíça no Brasil entre 1736 e 1913, relacionando comércio, indústria, exploração de recursos naturais e as relações de trabalho que marcaram esse período. A publicação contou com patrocínio da Unipar, por meio da Lei de Cultura.

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