Aos 85 anos, ícone da MPB explica transformação de sítio em refúgio para ‘soltar o máximo de bicho’ que puder

Aos 85 anos, ícone da MPB explica transformação de sítio em refúgio para ‘soltar o máximo de bicho’ que puder

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 05/10/2026 às 13:37

Uma sequência de sonhos levou Ney Matogrosso a uma propriedade em Saquarema, no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1980. O cantor, que nasceu em Mato Grosso do Sul, passou a sonhar repetidamente que retornaria ao estado natal, sem entender o que faria por lá. A resposta acabou aparecendo de maneira inesperada durante um passeio pela região: ele conheceu uma propriedade com uma cachoeira, pediu autorização para tomar banho no local e descobriu que o imóvel estava à venda. Decidiu comprá-lo.

A área tem 140 hectares e se tornou o refúgio do artista desde então. Anos depois da aquisição, Ney descobriu uma coincidência que relacionava o lugar aos sonhos que vinha tendo. O rio que passa diante da casa se chama rio Mato Grosso, enquanto a serra localizada nos fundos da propriedade também recebeu o nome de Serra Mato Grosso. “O rio que passa na frente da casa se chama rio Mato Grosso. Ali atrás também é a Serra Mato Grosso, e não é por minha causa (risos). Quando fechei a venda é que descobri”, contou no documentário “Ney por trás das máscaras”, exibido no Festival do Rio.

Ney Matogrosso fala sobre resgate de animais e soltura em própria floresta — Foto: Reprodução/'Ney por trás das máscaras'

Uma das primeiras mudanças feitas pelo cantor foi interromper a criação de gado existente na propriedade. Ney pediu que as vacas não fossem mais soltas no local, e a vegetação começou a ocupar novamente a área que antes era usada como pasto. “Pedi para não soltarem mais as vacas. Logo começou a crescer tudo por aqui. Colocamos água, e a mata subiu”, relembrou.

Com o passar do tempo, animais também passaram a fazer parte desse ambiente, muitos deles resgatados pelo próprio artista. No documentário, Ney aparece devolvendo uma jiboia à mata depois de o animal ter sido encontrado em uma área desmatada e precisar de resgate. A relação com a propriedade acabou se tornando também um compromisso pessoal com a preservação da floresta. “Estou aqui para deixar tudo crescer e soltar o máximo de bicho que puder. Não tenho pretensão de mais nada. Só estou determinado a cuidar dessa floresta. Se eu nascesse de novo, queria vir guardião da floresta, um espírito guardião. Se bem que, já sou, né?”, afirmou.

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