Gorila órfã resgatada do tráfico volta à natureza e tem o primeiro filhote

Gorila órfã resgatada do tráfico volta à natureza e tem o primeiro filhote

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 05/10/2026 às 15:10

Lulingu, uma gorila que foi retirada da família ainda bebê e resgatada do comércio ilegal de animais silvestres, teve o primeiro filhote depois de voltar a viver na natureza. O nascimento ocorreu em 21 de maio, no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, mas só foi divulgado agora. Mãe e filhote estão saudáveis, e o pai é um macho selvagem que vive no Monte Tshiaberimu.

A chegada do bebê também representa um marco no processo de adaptação de Lulingu à vida livre. Desde sua reintrodução, ela passou a integrar um grupo de gorilas que já vivia na região. “Vimos ela amamentando, segurando e brincando com o filhote”, contou Benoit Ishaba, guarda do parque responsável pelo monitoramento dos animais no Monte Tshiaberimu.

A história de Lulingu começou de forma muito diferente. Ela tinha apenas 18 meses quando foi retirada de sua família e levada para o comércio ilegal. Depois de ser resgatada, foi encaminhada ao GRACE, santuário especializado em gorilas resgatados na província de Kivu do Norte. Era a gorila órfã mais jovem já recebida pela instituição e, no início, precisava de cuidados durante as 24 horas do dia.

A rotina mudou quando Pinga, outra gorila do santuário, passou a cuidar dela como mãe adotiva. Lulingu foi então integrada a uma família maior, formada também por Mapendo, Ndjingala e Isangi. Anos depois, as quatro fêmeas passaram por um processo de preparação para retornar à floresta. O trabalho durou mais de cinco anos e envolveu o GRACE, o Parque Nacional de Virunga e comunidades locais, com apoio da Gorilla Doctors e da Re:wild.

No fim de 2024, as quatro foram levadas para Virunga e conseguiram se integrar ao grupo liderado por um macho dominante que já vivia em liberdade. Desde então, equipes acompanham os animais para observar alimentação, comportamento e adaptação. Nenhuma das quatro precisou de atendimento veterinário por doença ou ferimento desde a reintrodução.

O nascimento também tem importância para uma população de gorilas-das-planícies-orientais criticamente ameaçada de extinção. O grupo do Monte Tshiaberimu é pequeno e isolado, e o nascimento de um filhote de uma fêmea reintroduzida pode contribuir para a diversidade genética da população. “Cada filhote saudável representa mais do que uma adição à população. É um sinal de resiliência, recuperação e do que é possível com cuidados de longo prazo, colaboração e proteção direcionada”, afirmou Mary Brown, responsável pelo programa da Re:wild na África.

Para os pesquisadores, acompanhar Lulingu também oferece uma oportunidade incomum: observar uma gorila que passou parte importante da vida sob cuidados humanos aprendendo a cuidar do primeiro filhote em liberdade. Além de amamentar e brincar com o bebê, ela permite que outro jovem gorila do grupo se aproxime e demonstre curiosidade. A expectativa é de que a família possa crescer novamente, já que os pesquisadores acreditam que pelo menos uma das outras três fêmeas reintroduzidas também esteja grávida.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia