Homem preso injustamente há 41 anos deixa a cadeia após exame de DNA

Homem preso injustamente há 41 anos deixa a cadeia após exame de DNA

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 29/09/2026 às 16:45

Douglas Stewart Carter, de 71 anos, deixou uma prisão em Utah, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira, 28 de setembro, depois de passar 41 anos encarcerado por um assassinato que sempre negou ter cometido. Condenado à morte em 1985 pela morte de Eva Olesen, ele conseguiu aguardar o novo julgamento em liberdade depois que um exame de DNA não encontrou correspondência entre seu material genético e vestígios coletados na cena do crime.

O resultado foi entregue à Justiça em 22 de setembro e mostrou que o DNA de Carter não corresponde ao sangue encontrado na maçaneta de uma porta nem ao material genético identificado no cabo da faca usada no assassinato. Segundo o juiz Derek Pullan, a nova análise enfraqueceu significativamente a acusação e contribuiu para a decisão de permitir que Carter deixasse a prisão. Os promotores também desistiram de pedir novamente a pena de morte, embora o homem ainda não tenha sido oficialmente inocentado e precise usar tornozeleira eletrônica enquanto aguarda o julgamento.

Do lado de fora da cadeia, Carter foi recebido pelo filho, Tyler Anger. Com uma camiseta branca e calça de moletom, ele saiu levando os poucos pertences acumulados durante décadas de prisão. Tyler empurrava um carrinho com travesseiros, cobertores e alguns documentos. O filho foi adotado por outra família ainda bebê e só descobriu anos depois que o pai biológico havia sido condenado. Agora, os dois poderão retomar a convivência. Carter ficará hospedado em um hotel próximo à residência do filho e deverá receber acompanhamento psicológico.

A condenação de 1985 ocorreu sem que houvesse, segundo o material apresentado no caso, uma prova física que ligasse diretamente Carter ao assassinato de Eva Olesen, tia do então chefe de polícia de Provo. A acusação se apoiou em uma confissão que Carter afirma ter assinado depois de sofrer ameaças de policiais e nos depoimentos de duas testemunhas. Em 2011, porém, essas testemunhas foram encontradas no México e retiraram as acusações. Elas disseram ter recebido dinheiro e presentes de policiais para incriminar Carter e afirmaram ainda que policiais e promotores ameaçaram deportá-las, junto com o filho, caso não colaborassem com a acusação.

As declarações deram início a uma longa disputa judicial. Em 2025, a Suprema Corte de Utah determinou um novo julgamento após apontar irregularidades envolvendo investigadores e um promotor. Com a reabertura do caso, as provas coletadas em 1985 passaram por novas análises, incluindo a comparação dos vestígios genéticos com o DNA de Carter. A ausência de correspondência levou à sua libertação, mas não encerrou o processo. A família de Eva Olesen continua pedindo esclarecimentos sobre a morte, enquanto os advogados de Carter querem que a acusação seja arquivada definitivamente. A promotoria informou que está reavaliando as provas que ainda permanecem no caso.

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