Willer Tomaz movimentou R$ 10 bilhões em apostas em um ano e processa bet após perder R$ 163 milhões

Willer Tomaz movimentou R$ 10 bilhões em apostas em um ano e processa bet após perder R$ 163 milhões

Redação Alô Alô Bahia

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Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 29/09/2026 às 16:19

O advogado Willer Tomaz movimentou cerca de R$ 10 bilhões em apostas na Blaze ao longo de 2025, entre valores ganhos e perdidos. No período, terminou com um prejuízo de R$ 163 milhões na plataforma. Em agosto, ele acionou a Justiça de São Paulo para cobrar da empresa parte das perdas, alegando ter desenvolvido ludopatia e afirmando que a casa de apostas não teria adotado medidas adequadas de jogo responsável diante do volume de suas operações. As informações são do portal Metrópoles.

Documentos apresentados no processo mostram que Tomaz chegou ao nível 171 do programa de fidelidade da Blaze e recebia atendimento individualizado de um funcionário da empresa. Antes da regulamentação federal, em 2023, ele teria comprovado renda por meio de extratos bancários que registravam transferências milionárias de seus escritórios de advocacia e de uma emissora de televisão do Maranhão. A partir daí, passou a contar com um concierge holandês, que mantinha contato com ele pelo WhatsApp. Em uma das conversas anexadas ao processo, Tomaz reclamou da exigência de reconhecimento facial para saques de R$ 100 mil. Ao pedir que o limite fosse elevado para R$ 500 mil, recebeu como resposta que poderia fazer vários pedidos de saque sem passar novamente pelo procedimento, prática que, segundo a reportagem, contrariava a regulamentação federal.

Os registros também mostram a dimensão das apostas. Em 29 de julho, por exemplo, Tomaz jogou entre 2h e 4h da madrugada, fez 11 depósitos de R$ 100 mil e perdeu todo o dinheiro após centenas de giros de roleta, com apostas superiores a R$ 50 mil. Em 19 de janeiro de 2026, depositou R$ 500 mil, jogou por cerca de meia hora e retirou R$ 1 milhão dividido em dez saques. Mais tarde, recebeu um bônus de fidelidade de R$ 325 mil, que gastou em aproximadamente cinco minutos, e terminou o dia com perdas de R$ 725 mil. Segundo os dados apresentados no processo, em 2025 ele ganhou R$ 4,8 bilhões em jogos de cassino e perdeu R$ 4,963 bilhões. Nas apostas esportivas, teve lucro de R$ 39 mil. Os depósitos daquele ano somaram R$ 300 milhões, enquanto os saques chegaram a R$ 137 milhões.

A relação entre Tomaz e a Blaze mudou depois que o ritmo das apostas diminuiu em março. O advogado disse ao concierge que estava incomodado com a demora na liberação dos saques e afirmou ter ficado alarmado ao analisar o relatório de sua própria conta. “Os números são extremamente altos, tanto em termos de movimentação quanto de perdas. Considerando o nível de atividade da minha conta, eu esperava, na verdade, algum tipo de verificação ou sugestão relacionada ao jogo responsável por parte da plataforma”, escreveu. Poucos dias depois, ele procurou a empresa para discutir um acordo e propôs a devolução de 70% do valor perdido. Na ação judicial, sustentou que havia problemas na relação entre depósitos e saques, retenções e reversões de solicitações, obstáculos para retirar recursos, incentivos associados às perdas e ausência de medidas eficazes de jogo responsável.

A alegação de vício em apostas apareceu formalmente no processo. O ex-ministro Eugênio Aragão, sócio e advogado de Tomaz na ação, afirmou que o padrão registrado nos documentos seria compatível com “jogo patológico em grau extremo”. Um laudo assinado em julho pelo psiquiatra Diego Canelhas foi anexado aos autos e informa que Tomaz estava iniciando tratamento. O documento também relata uma suposta tentativa de interromper o uso da plataforma. Aragão apresentou ainda dois registros de conversas, sem data, nos quais um usuário pede o bloqueio definitivo da conta e afirma estar enfrentando problemas de saúde e vício em apostas. Os autos não registram cadastro de Tomaz no sistema federal de autoexclusão. O advogado também sustenta que, mesmo após o pedido de bloqueio, a Blaze teria continuado a enviar publicidade direcionada, incluindo mensagens com ofertas de bônus e créditos.

O caso ocorre paralelamente à atuação de Tomaz no mercado de apostas esportivas. Segundo a reportagem, ele é beneficiário final da RioPag, empresa que recebeu do governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, exclusividade na intermediação de pagamentos entre apostadores e casas de apostas licenciadas pelo estado. Tomaz também atua como advogado da empresa. Até pelo menos o mês anterior à publicação da reportagem, seu escritório patrocinava a associação Aposta Legal, presidida por um funcionário do próprio escritório. O mesmo funcionário administra a participação de Tomaz em um jatinho que também pertenceu a Daniel Vorcaro. Em relatório da Polícia Federal relacionado à operação de 4 de agosto, Tomaz foi descrito como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” de investigados pela chamada Máfia do INSS.

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