A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira ao longo de todo o ciclo do evento. A estimativa consta em um estudo inédito da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado para a Embratur como parte do projeto “Mapeamento do Potencial de Captação e Internacionalização de Eventos Esportivos no Turismo Brasileiro”.
Pela primeira vez, um país da América do Sul receberá a competição, que será realizada no Brasil. Segundo o levantamento, do total projetado, R$ 4,7 bilhões correspondem aos gastos de visitantes nacionais e estrangeiros, enquanto outros R$ 4,1 bilhões devem ser movimentados por despesas organizacionais da FIFA e de parceiros.
O estudo estima ainda uma contribuição de R$ 3,8 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a injeção de R$ 4,5 bilhões em salários e rendimentos operacionais. Ao todo, a Copa deverá sustentar 73,7 mil postos de trabalho e gerar R$ 928 milhões em tributos para os cofres públicos federais, estaduais e municipais.
A competição também chega em um cenário de crescimento da participação feminina no turismo internacional no Brasil. As mulheres representam 48,61% das chegadas de turistas estrangeiros ao país, permanecem, em média, 11 dias e registram gasto médio de US$ 1.317 por viagem.
Entre os principais mercados sul-americanos, a proporção de mulheres é ainda maior. Elas correspondem a 53,57% dos turistas vindos do Chile, 53,40% dos visitantes do Paraguai, 52,03% dos bolivianos e 51,81% dos argentinos.
Para o diretor de Gestão e Inovação da Embratur, Roberto Gevaerd, o torneio também pode contribuir para ampliar a presença feminina nos estádios e fortalecer a participação das mulheres no turismo brasileiro. “Os dados mostram que há um público imenso esperando por um ambiente amigável: 72% das pessoas no Brasil que nunca pisaram num estádio de futebol são mulheres. A Copa de 2027 é o momento perfeito para mudar esse cenário e acolher essas torcedoras. O torneio une o orgulho nacional a um novo perfil de consumo que descentraliza renda e projeta o Brasil no mundo”, afirma.
Com transmissões para mais de 200 países ao longo de um mês, a Copa do Mundo Feminina também deve ampliar a exposição internacional do Brasil como destino turístico. O estudo aponta o torneio como uma oportunidade de fortalecer a imagem do país no circuito dos grandes eventos esportivos globais, ao lado de experiências anteriores como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016.
Além dos impactos econômicos e turísticos, a realização da competição é apontada como oportunidade de legado em áreas como infraestrutura e equidade de gênero. O estudo completo da FGV está disponível no site da Embratur.