Premiado no Festival de Veneza, documentário sobre Gaza ganha data de estreia no Brasil

Premiado no Festival de Veneza, documentário sobre Gaza ganha data de estreia no Brasil

Redação Alô Alô Bahia

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Divulgação

Publicado em 15/09/2026 às 18:20

Premiado no Festival de Veneza com o Prêmio Especial do Júri, o documentário “Naza”, dirigido pelos israelenses Rachel Szor e Yuval Abraham, será lançado no Brasil em 1º de outubro. A distribuição no país será realizada pela Vitrine Filmes. As informações são do O GLOBO.

O longa é resultado de uma investigação conduzida pelos cineastas ao longo de três anos e aborda os métodos empregados pelas forças israelenses durante operações militares em Gaza. A produção reúne 24 relatos anônimos de integrantes das Forças Armadas e dos serviços de inteligência de Israel.

Entre os depoimentos apresentados no filme, um dos entrevistados relata que teria recebido autorização para matar até 500 pessoas identificadas pelo sistema como “Naza” com o objetivo de atingir apenas um integrante do Hamas.

O nome da produção faz referência à expressão hebraica “Nezek Agavi”, traduzida como “dano colateral”. O termo seria utilizado por serviços de inteligência israelenses para estimar a quantidade de civis que poderiam morrer em um bombardeio.

Szor e Abraham já haviam alcançado reconhecimento internacional com “Sem chão”, vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2025. A obra acompanha a parceria entre um ativista palestino e um jornalista israelense diante da destruição de comunidades de Masafer Yatta, na Cisjordânia, durante ações do Exército de Israel.

Reação do governo israelense

A repercussão de “Naza” também provocou reação de autoridades de Israel. No domingo (13), o ministro da Cultura do país, Miki Zohar, declarou que pretende buscar a retirada da cidadania israelense dos diretores, por “traição ao Estado”.

Na segunda-feira (14), o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, determinou que fossem analisadas possíveis medidas legais relacionadas ao documentário e às pessoas envolvidas na produção. Ele também solicitou uma investigação específica para apurar um eventual vazamento de informações classificadas que possam ter sido utilizadas no filme.

Em um primeiro posicionamento, as Forças Armadas de Israel afirmaram rejeitar “categoricamente” as acusações apresentadas pela produção e colocaram em dúvida a utilização de fontes anônimas. Posteriormente, a instituição afirmou que as alegações deveriam ser analisadas e respondidas de maneira detalhada e com base em evidências, destacando que ainda não havia assistido ao documentário na íntegra.

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