O Teatro Castro Alves (TCA) ganha um novo acervo dedicado à memória do Carnaval da Bahia. O ator e produtor cultural Alan Nery doou à instituição uma coleção de figurinos usados por ele e pelo irmão, o saudoso Duzinho Nery, em diferentes edições dos carnavais de Salvador e Lauro de Freitas.
As peças, que passaram anos sob a guarda de Alan, agora serão incorporadas à memória cultural preservada pelo TCA. A coleção reúne trajes criados para os concursos e reinados dos dois irmãos como Reis Momo, função que ocuparam em diferentes momentos ao longo de mais de uma década.
Alan Nery foi Rei Momo de Lauro de Freitas em 2014 e de Salvador em 2015, 2017, 2023 e 2024. Em 2023, protagonizou um feito simbólico ao ocupar simultaneamente os reinados momescos das duas cidades. Já Duzinho Nery foi Rei Momo de Lauro de Freitas em 2015 e 2018 e de Salvador em 2016.

Alan Ney entrega ao TCA acervo que ficou por anos sob guarda pessoal
Além dos títulos conquistados, os irmãos participaram de outras edições dos concursos nas duas cidades. Cada candidatura envolvia pesquisa, preparação e concepção artística, fazendo dos figurinos parte fundamental dessa trajetória.
Mais do que fantasias carnavalescas, as peças foram concebidas para traduzir personagens, conceitos e referências culturais ligadas à grandiosidade simbólica do Rei Momo. A coleção reúne trabalhos de profissionais como Luiz Cláudio de Vasconcelos, Cris Oliveira, Atelier Fábulos, que também desenvolve trabalhos para Anitta, e Ito Gomes.
“É um momento de muita emoção e alegria. Esses figurinos foram feitos com muito amor, carinho, pesquisa, dedicação e profissionalismo. Cada um representa uma fase das nossas vidas e guarda lembranças que não têm preço. Saber que eles estarão no acervo do Teatro Castro Alves, sendo preservados e tratados com o cuidado que merecem, me deixa muito feliz”, afirma Alan Nery.

Alan e Duzinho Nery foran Reis Momo em diferentes momentos
A doação tem também um forte significado afetivo. Parte das peças preserva a memória de Duzinho Nery e da trajetória compartilhada pelos irmãos dentro e fora do Carnaval. “Existe Duzinho em cada uma dessas peças. Fazer essa doação também é uma forma de cuidar da memória dele. Eu queria que esses figurinos continuassem vivos, não simplesmente guardados em casa”, destaca Alan.
Para Alan, a chegada do acervo ao TCA, especialmente no contexto da reabertura do teatro, representa a possibilidade de transformar uma história familiar em patrimônio preservado para as próximas gerações. Entre coroas, bordados, tecidos, cores e adereços, o novo acervo passa a registrar não apenas a trajetória de dois irmãos, mas também uma tradição que marca a abertura simbólica do Carnaval baiano.