A confirmação de novos casos de Febre do Nilo Ocidental em São Paulo e Santa Catarina voltou a chamar atenção para uma doença rara no Brasil, mas que já é monitorada pelas autoridades de saúde há mais de uma década. Os registros recentes incluem os dois primeiros casos humanos da história de São Paulo e a primeira morte causada pela infecção em Santa Catarina.
Em São Paulo, os casos envolvem uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que já se recuperou, e uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece internada. A investigação epidemiológica ainda busca identificar os locais prováveis de infecção. Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos morreu em Imbituba, enquanto um homem de 56 anos, de Caçador, foi diagnosticado e recebeu alta.
A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral transmitida principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex, o popular pernilongo. As aves têm papel central no ciclo natural do vírus, enquanto humanos e cavalos são considerados hospedeiros acidentais. A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas, mas, em uma pequena parcela dos casos, a doença pode evoluir para complicações neurológicas graves, como meningite e encefalite.
No Brasil, o primeiro caso humano de encefalite associada ao vírus foi registrado em 2014, no Piauí. Desde então, a circulação do vírus passou a ser identificada e monitorada em diferentes regiões do país, tanto em seres humanos quanto em animais, especialmente equinos e aves.
A Bahia também já entrou no radar da vigilância epidemiológica. Em 2018, a Secretaria da Saúde do Estado emitiu um alerta aos municípios para a detecção de possíveis casos, diante da confirmação da circulação do vírus em equinos no Espírito Santo, estado que faz divisa com o norte baiano. O documento orientava a rede de saúde a ficar atenta a pacientes com sintomas compatíveis, sobretudo manifestações neurológicas sem causa identificada.
Embora os novos registros tenham reacendido o alerta, a Febre do Nilo Ocidental continua sendo uma doença incomum entre humanos no Brasil. A principal estratégia de prevenção é evitar picadas de mosquitos, com medidas como uso de repelente, telas e roupas que protejam o corpo.