Carla Madeira reúne centenas de leitores no Pelourinho e celebra crescimento dos clubes de leitura

Carla Madeira reúne centenas de leitores no Pelourinho e celebra crescimento dos clubes de leitura

Redação Alô Alô Bahia

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Rovena Rosa/Agência Brasil

Publicado em 09/08/2026 às 15:40

Uma das escritoras mais lidas do país, Carla Madeira reuniu centenas de pessoas no Largo do Pelourinho, em Salvador, durante participação na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Autora de sucessos como Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera, a mineira falou sobre literatura, o hábito da leitura no Brasil e seu novo livro, Quando.

Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos, Carla comemorou o interesse crescente dos brasileiros em compartilhar e discutir suas experiências com os livros, especialmente em clubes de leitura e nas redes sociais.

“Livro é uma ocasião de conversar”, afirmou. “As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir, entrar com outras vozes, cruzar livros, cruzar informações, criticar, aplaudir. Está tudo valendo.”

Apesar desse movimento, a escritora considera que o Brasil ainda enfrenta desafios para ampliar o número de leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora, enquanto 53% não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores.

Carla defendeu a importância de políticas públicas de incentivo à leitura e destacou que questões sociais também interferem no acesso aos livros.

“A gente está falando de uma realidade que é muitas vezes diferente de uma certa bolha que tem condição de ter acesso a livro, que tem uma casa ou que tem um quarto, que tem uma luz à noite adequada”, afirmou.

Novo livro

Durante o encontro na Flipelô, Carla Madeira revelou ainda detalhes de “Quando”, seu novo romance, com lançamento previsto para este mês. A trama acompanha uma mãe doente que, à espera de rever o filho após 20 anos, relembra os acontecimentos que levaram à separação entre os dois.

A história retorna a 1986 e tem como pano de fundo o período de redemocratização do Brasil e as marcas deixadas pela ditadura. O livro começou a ser escrito em uma fase particularmente delicada da vida da autora, quando ela enfrentou, em sequência, as mortes da mãe, do psicanalista e da sócia.

Embora ressalte que não faz autoficção, Carla contou que as experiências daquele período influenciaram sua relação com a escrita. “Nesse período eu comecei a ler e comecei a querer uma linguagem para dar conta do real”, explicou.

A maternidade, tema recorrente em sua obra, também ocupa lugar central no novo romance. “A família [é] um lugar fundante, um primeiro lugar que nos recebe no mundo e que vai ser determinante — para o bem ou para o mal”, refletiu.

A 10ª edição da Flipelô termina neste domingo (9), após cinco dias de programação no Centro Histórico de Salvador.

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