“A Última Casa”: Wagner Moura é destaque em filme da Netflix, mas roteiro divide a crítica

“A Última Casa”: Wagner Moura é destaque em filme da Netflix, mas roteiro divide a crítica

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Netflix

Publicado em 09/08/2026 às 15:59

Novo filme de Wagner Moura, “A Última Casa” chegou à Netflix na última sexta-feira (7) cercado por uma premissa bastante particular, em que uma família fica misteriosamente presa dentro da própria casa e precisa encontrar maneiras de sobreviver enquanto uma ameaça inexplicável impede qualquer tentativa de saída. Dirigido por Louis Leterrier, o longa mistura ficção científica, horror, suspense e drama familiar, tendo como protagonistas Moura e Greta Lee.

Na avaliação da Variety, uma das publicações internacionais mais respeitadas, o filme parte de uma ideia especialmente interessante por dialogar com uma experiência ainda muito próxima do público com o isolamento vivido durante a pandemia de Covid-19. A diferença é que, em vez de uma crise sanitária, o confinamento da família é provocado por uma força misteriosa que transforma a própria casa em uma espécie de prisão.

É justamente essa situação que sustenta boa parte da tensão do longa. A família precisa adaptar sua rotina, administrar recursos e lidar não apenas com a ameaça externa, mas também com o desgaste emocional provocado por anos sem poder sair de casa. Para a publicação, há um componente curioso nessa proposta, já que “A Última Casa” transforma a ideia de lar, normalmente associada a proteção e segurança, em um espaço do qual os personagens desesperadamente querem escapar.

A Variety considera que Wagner Moura e Greta Lee ajudam a dar peso emocional à história. Moura interpreta Jason, um pai que tenta manter a família unida e encontrar soluções práticas para uma situação cada vez mais absurda. A atuação do brasileiro é apontada como um dos elementos que dão credibilidade ao filme, especialmente porque o personagem precisa atravessar diferentes estados emocionais enquanto o confinamento se prolonga.

O desempenho de Moura também ganha importância diante de uma característica central da produção, com boa parte do filme dependendo da interação entre os integrantes da família, já que o espaço físico é deliberadamente limitado. O ator consegue imprimir intensidade a Jason sem transformar o personagem simplesmente em um herói de ação, mantendo no centro da narrativa a figura de um pai tentando proteger os filhos e preservar alguma normalidade.

A publicação também chama atenção para o fato de o longa ter sido concebido em um período marcado pelo isolamento provocado pela pandemia. O diretor Louis Leterrier e Wagner Moura comentaram sobre essa conexão e sobre o impacto de trabalhar em uma história que coloca uma família dentro de casa durante um período indefinido. A experiência real do confinamento, portanto, funciona como uma espécie de ponto de partida para uma situação muito mais fantástica.

O problema, na visão da crítica, aparece quando o filme precisa desenvolver e explicar sua própria mitologia. “A Última Casa” começa como um thriller de confinamento bastante eficiente, mas vai ampliando sua proposta até entrar em terrenos de ficção científica e horror que nem sempre encontram o mesmo equilíbrio. A sensação é de que a premissa é mais forte do que algumas das respostas apresentadas pelo roteiro.

Esse aspecto fica ainda mais evidente no terceiro ato. A explicação para o que mantém a família presa e a relação entre os seres que aparecem na história são fundamentais para compreender o desfecho.

Atenção! A partir daqui, há spoilers!

Depois de cinco anos presos, a situação da família se deteriora a ponto de a própria casa deixar de ser um lugar minimamente seguro. A entrada de uma das criaturas compromete os recursos que eles conseguiram cultivar durante o confinamento e faz com que Jason conclua que permanecer ali já não é uma alternativa.

A solução passa por enfrentar a criatura. É nesse momento que a filha do casal, Ruth, assume uma importância decisiva. Desde o início, ela acredita que pelo menos uma das criaturas não é necessariamente hostil. A percepção da menina acaba sendo fundamental para o desfecho.

Quando Jason consegue capturar uma delas, Ruth o convence a libertá-la. O gesto de compaixão muda completamente a relação entre a família e as criaturas. A que Ruth identificava como “boa” acaba permitindo que eles deixem a casa, enquanto as demais não impedem a fuga.

Depois que a família consegue sair, a própria residência desmorona, abrindo espaço para uma nova etapa da história. A família parte em busca de outro lugar para viver e tenta descobrir se existem outros sobreviventes. A resposta final do rádio, um simples “olá”, indica que eles podem não estar sozinhos.

É um encerramento que reforça uma das ideias mais interessantes do filme, a de que a sobrevivência não depende apenas de força ou confronto, mas também da capacidade de reconhecer o outro e agir com alguma forma de empatia. O problema, para a crítica, é que o longa nem sempre consegue transformar essa ideia em uma conclusão tão convincente quanto sua premissa prometia.

No balanço, “A Última Casa” funciona melhor quando aposta na tensão doméstica e na relação entre os personagens do que quando tenta explicar completamente o universo fantástico que criou. A atmosfera claustrofóbica, a situação inusitada e o trabalho dos protagonistas sustentam boa parte da experiência, enquanto o roteiro acaba deixando algumas decisões e explicações menos satisfatórias.

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