A morte de Jorge Messi, aos 68 anos, em Rosário, neste sábado (8), encerra a trajetória de uma das figuras mais influentes nos bastidores da carreira de Lionel Messi. Pai, representante e conselheiro, ele acompanhou o argentino desde a infância e assumiu, com o crescimento do filho no futebol, a condução de boa parte de seus assuntos profissionais.
Antes de administrar contratos milionários, o argentino trabalhava como supervisor em uma fábrica siderúrgica. A mudança de rumo começou quando ficou evidente que o talento do filho poderia levá-lo além das categorias de base do Newell’s Old Boys. Lionel também precisava tratar uma deficiência do hormônio do crescimento, o que aumentava os custos para a família e tornava a busca por uma oportunidade no exterior ainda mais decisiva.
Quando Messi tinha apenas 13 anos, o pai participou diretamente da decisão de levá-lo à Espanha para tentar uma vaga no Barcelona. A família chegou a acompanhá-lo, mas parte dela retornou posteriormente à Argentina. Jorge permaneceu com o filho na Catalunha durante um período de adaptação marcado pela distância de Rosário e pelas incertezas sobre o futuro do adolescente. O Barcelona assumiu o tratamento médico e incorporou o jogador às categorias de base.
À medida que Lionel se consolidou no time principal, o papel do pai também mudou. Ele deixou de ser apenas o responsável que acompanhava o jovem jogador e se tornou seu agente e principal interlocutor em negociações. Contratos com clubes, acordos comerciais e decisões relacionadas à carreira passaram a ter participação direta de Jorge, que construiu uma rede de assessores enquanto mantinha a família no centro da gestão.
Essa organização ganhou uma dimensão empresarial com a Leo Messi Management. A estrutura familiar passou a cuidar da carreira, da imagem e de outros projetos ligados ao jogador. Os irmãos Rodrigo e Matías também assumiram funções ao longo dos anos, enquanto a Fundação Leo Messi, criada em 2007, ampliou a atuação da família fora do futebol. A divisão de responsabilidades permitiu que decisões importantes permanecessem próximas do círculo familiar mesmo quando a marca Messi alcançou dimensão global.
O modelo também acompanhou a expansão financeira do jogador. Segundo a Forbes, Lionel acumulou cerca de US$ 1,8 bilhão em ganhos de carreira até 2026, considerando salários, patrocínios, produtos licenciados e outros negócios. A publicação identifica o pai como agente e gestor de negócios do jogador, responsável por atuar em uma estrutura que passou a reunir mais de uma dezena de parcerias comerciais simultâneas.
Com o passar dos anos, outros integrantes da família ganharam espaço nessa administração. Rodrigo, por exemplo, passou a atuar em negócios e projetos ligados ao irmão e atualmente também participa da gestão de ativos imobiliários. A estrutura cresceu para áreas como hotéis, imóveis, direitos de imagem, produtos licenciados e investimentos, transformando o sucesso esportivo em um patrimônio administrado com forte participação familiar.
Mesmo nos momentos de maior exposição, porém, o pai continuou como a figura que aparecia nas negociações mais sensíveis da carreira. Foi assim nas renovações com o Barcelona, na saída para o Paris Saint-Germain e nas conversas que cercaram os passos seguintes do jogador. Mais de duas décadas depois daquela viagem de um adolescente de Rosário para a Espanha, a relação entre pai e filho havia se transformado também em uma parceria profissional que acompanhou Messi durante praticamente toda a sua carreira.