Antonio Pitanga foi homenageado na noite desta sexta-feira (31), durante a abertura da Mostra Pitanga, no Cine Glauber Rocha, em Salvador. Promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a iniciativa reúne a maior retrospectiva dedicada à trajetória do ator e diretor baiano, com 29 filmes que percorrem quase 70 anos de carreira. Com curadoria da filha, Camila Pitanga, e Thiago Ortman, a programação gratuita segue até 9 de agosto, com sessões no Cine Glauber Rocha e no Cine Lankiana.
A cerimônia contou com a presença do gerente-geral do CCBB em Salvador, Júlio Paranaguá, além de artistas e cineastas baianos, como Ceci Alves, Pedro Abib, Heraldo de Deus, Márcio Meirelles, Cristina Castro, Clarindo Silva e Maria Marighella.

“É receber flores em vida”, disse o ator e diretor ao ser homenageado
Emocionado, Pitanga afirmou que a homenagem representa um reencontro com a memória de uma geração que transformou a cultura brasileira. “É receber flores em vida, é um revisitar dessa memória viva da década de 50 e 60 na Bahia que causou uma revolução brasileira, não só no cinema, mas na música, artes plásticas, dança, teatro. É poder interagir, aos meus 87 anos, com a juventude e ver que essa história continua gerando novos olhares”, disse.
O curador Thiago Ortman destacou a relevância do artista para o cinema nacional, lembrando sua atuação no Cinema Novo ao lado de nomes como Glauber Rocha, Cacá Diegues e Fernando Coni Campos, além de sua importância como um dos primeiros diretores negros do país. “Pitanga é um ator e um diretor totalmente intenso, vivo e transformador, que, ao longo desses 70 anos de carreira, continua construindo uma história muito bonita”, afirmou.

Programação da Mostra Pitanga segue até 9 de agosto
Para o ator, a mostra também permite revisitar a história do cinema brasileiro sob uma nova perspectiva. Ao lembrar o legado do Cinema Novo, ele ressaltou o impacto do movimento na produção audiovisual contemporânea. “A gente chegou num patamar que me orgulha muito. Enche os olhos de alegria e o coração acelera. Hoje os jovens estão fazendo grandes filmes, tudo isso a gente plantou lá atrás, o resultado está acontecendo agora”, declarou.
Além das exibições, a Mostra Pitanga promove debates, sessões comentadas e o curso “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, ministrado pela pesquisadora e professora Izabel Melo, entre os dias 5 e 7 de agosto. A programação completa está disponível no site e nas redes sociais do CCBB.