O Tribunal de Brescia decretou nesta terça-feira (28) a liquidação judicial do Brescia Calcio, encerrando a sociedade responsável pelo tradicional clube italiano após 114 anos de história. A decisão foi tomada diante do crescimento das dívidas e da falta de um plano considerado viável para recuperar a empresa.
As primeiras estimativas apontavam um passivo de aproximadamente € 20 milhões, valor superior a R$ 130 milhões. Um levantamento mais recente dos registros contábeis, porém, indica que as obrigações podem chegar a € 28,6 milhões. O tribunal rejeitou o pedido de recuperação apresentado pela gestão de Massimo Cellino e nomeou profissionais para administrar a venda dos bens e analisar as responsabilidades pelo colapso financeiro.
O clube pretendia utilizar possíveis receitas relacionadas à transferência de Sandro Tonali para tentar pagar parte dos credores. O dinheiro esperado, no entanto, não foi suficiente para convencer a Justiça de que a atividade poderia continuar. Os credores terão até 20 de novembro para solicitar a inclusão dos valores devidos no processo de liquidação.
A falência encerra a trajetória de uma equipe que recebeu Roberto Baggio e Pep Guardiola e revelou jogadores como Andrea Pirlo e Tonali. Outros nomes conhecidos, entre eles Gheorghe Hagi, Luca Toni, Marek Hamsik e Mario Balotelli, também vestiram a camisa do time, cuja última participação na primeira divisão italiana ocorreu na temporada 2019/2020.
A decisão não deixa a cidade sem uma equipe profissional. Fundada em julho de 2025, a Union ocupa o espaço esportivo deixado pelo antigo clube e disputa a Série C italiana. Trata-se, porém, de outra sociedade: a sentença encerra oficialmente a empresa que sustentou por mais de um século uma das camisas mais tradicionais do futebol da Lombardia.