A estreia da tecnologia de impedimento semiautomático na 20ª rodada gerou dúvidas após gols de Bahia e Flamengo serem anulados por diferenças mínimas. O recurso rastreia jogadores e bola para indicar a posição irregular, mas o modelo contratado pela CBF funciona de maneira diferente daquele utilizado pela Fifa na Copa do Mundo.
A principal diferença está na bola. Na Copa, um sensor interno registrava cerca de 500 informações por segundo e indicava com precisão o instante em que o passe era executado. O Brasileirão não utiliza uma bola conectada. O momento do contato é identificado pelas imagens captadas ao redor do campo.
Para compensar a ausência do sensor, a Genius Sports instalou entre 28 e 32 câmeras 4K nos estádios, com gravação de 100 quadros por segundo. Na Copa, o sistema da Fifa combinava 16 câmeras ópticas, o rastreamento de pontos do corpo dos atletas, o chip da bola e modelos digitais criados a partir de escaneamentos tridimensionais dos jogadores.
No sistema brasileiro, o programa identifica os atacantes e defensores envolvidos, sugere o ponto do último toque na bola e constrói as linhas automaticamente. Os árbitros do VAR precisam conferir as informações antes da decisão. Segundo a CBF, o recurso “opera com captura de imagens a 100 quadros por segundo e identifica automaticamente o exato instante do último contato”. A validação humana explica por que o procedimento continua sendo chamado de semiautomático.
Outra diferença aparece na comunicação. Durante a Copa, impedimentos posicionais claros podiam ser enviados diretamente aos árbitros em campo, permitindo que o assistente levantasse a bandeira mais rapidamente. No Brasileirão, os auxiliares mantêm o protocolo tradicional e deixam a jogada terminar antes da checagem do VAR.
A apresentação ao público também não é a mesma. Nas primeiras partidas do campeonato, a transmissão mostrou a animação tridimensional com atacante, defensor e a linha de impedimento, mas não exibiu o momento do passe. A CBF decidiu trabalhar em um ajuste para incluir essa imagem. Na rodada de estreia, o sistema participou de cinco checagens, com tempo médio de 47 segundos.