Um projeto de mineração localizado em Amargosa, no interior da Bahia, dará um passo importante no mercado internacional. A Alurion Resources, empresa criada para desenvolver a jazida de bauxita, estreia na Bolsa de Valores da Austrália (ASX) no próximo dia 3 de agosto, avaliada em cerca de R$ 908 milhões, após captar aproximadamente R$ 177 milhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO).
Segundo a Veja, O ativo pertence à Brazilian Rare Earths (BRE), que adquiriu os direitos minerários da Rio Tinto em 2023 por um valor equivalente hoje a R$ 47,1 milhões, além de um pagamento futuro que posteriormente foi substituído por royalties sobre a produção de bauxita.
A estratégia da BRE foi separar o projeto baiano em uma empresa independente, permitindo que a Alurion busque recursos próprios para desenvolver a mina, enquanto a controladora mantém o foco em seus projetos de terras raras. Após o IPO, os acionistas da BRE passam a deter a maior parte da nova companhia, enquanto a própria BRE preserva uma participação de cerca de 16%.
Segundo estimativas da empresa, a área abriga cerca de 568 milhões de toneladas de bauxita, das quais 98 milhões poderiam ser comercializadas sem necessidade de beneficiamento. Estudos também identificaram a presença de gálio, mineral considerado estratégico para a fabricação de semicondutores, equipamentos de telecomunicações e aplicações na indústria de defesa. Apesar do potencial, o projeto ainda não prevê receitas com o gálio, já que não há tecnologia, parceria industrial ou estrutura definida para sua extração.
A primeira fase da operação será dedicada exclusivamente à produção de bauxita. O plano prevê uma produção de até 5 milhões de toneladas por ano, com transporte rodoviário até o Porto de Enseada, na Bahia. O investimento estimado para implantação da mina é de aproximadamente R$ 603 milhões, com expectativa de início da produção em 2029, desde que sejam concluídos os estudos técnicos, obtidas as licenças ambientais e garantido o financiamento necessário.
Os recursos captados no IPO serão destinados principalmente à compra de terras, elaboração de estudos ambientais, processos de licenciamento, relacionamento com comunidades, exploração mineral e capital de giro. A empresa também pretende utilizar parte do dinheiro para quitar empréstimos e cobrir os custos da abertura de capital.
A expansão futura da produção dependerá de novos investimentos em infraestrutura logística, incluindo a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul, que ainda não possuem contratos firmados com a companhia.
Antes de iniciar a operação, a Alurion ainda precisará concluir o processo de aquisição de áreas, realizar consultas às comunidades afetadas, incluindo quilombolas, e obter todas as autorizações ambientais e minerárias. O prospecto também aponta interferências em assentamentos rurais e áreas de conservação.