O produtor, fotógrafo e jornalista Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira, 22, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, ele estava internado desde o início da semana no Hospital Copa Star, tratando uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.
Nascido em Sobral, no Ceará, em 1928, Barreto começou a carreira como fotojornalista da revista O Cruzeiro, onde chegou a atuar como correspondente internacional e fotografou nomes como Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Fidel Castro. A aproximação com o cinema veio depois de um encontro com o baiano Glauber Rocha durante as filmagens de “Barravento”, episódio que o levou a se tornar uma das figuras centrais do Cinema Novo.
Ao lado da mulher, a produtora Lucy Barreto, com quem foi casado por 71 anos, fundou a produtora LC Barreto, responsável por mais de 80 produções e coproduções ao longo de mais de seis décadas. Foi por meio da empresa que Barretão ajudou a projetar o cinema brasileiro no exterior e a transformar a atividade em indústria, além de ter dialogado diretamente com censores e ditadores durante o regime militar em defesa da produção nacional.
Conheça os principais filmes produzidos por Barretão
“A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (1965)
Dirigido por Roberto Santos e baseado em conto de Guimarães Rosa, foi um dos marcos do Cinema Novo e concorreu à Palma de Ouro em Cannes, em 1966.
“Vidas Secas” (1963)
Clássico de Nelson Pereira dos Santos, adaptação do romance de Graciliano Ramos, é considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema brasileiro.
“Terra em Transe” (1967)
Produzido ao lado do próprio Glauber Rocha, de Cacá Diegues e de Zelito Viana, acompanha um jornalista idealista em um país fictício às voltas com a instabilidade política. Também concorreu à Palma de Ouro em Cannes.
“Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976)
Dirigido pelo filho Bruno Barreto e baseado em romance de Jorge Amado, foi durante 34 anos a maior bilheteria da história do cinema brasileiro e consolidou Sônia Braga como estrela internacional.
“Bye Bye Brasil” (1979)
Dirigido por Cacá Diegues e estrelado por José Wilker e Betty Faria, acompanha uma trupe de artistas itinerantes pelo interior do país e reforçou a presença brasileira em Cannes.
“Memórias do Cárcere” (1984)
Também de Nelson Pereira dos Santos, é uma adaptação da obra autobiográfica de Graciliano Ramos sobre sua prisão durante o Estado Novo.
“O Quatrilho” (1995)
Dirigido pelo filho Fábio Barreto, recebeu indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
“O Que É Isso, Companheiro?” (1997)
Dirigido por Bruno Barreto, também foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional e recolocou o Brasil entre os protagonistas do cinema mundial.
“Bossa Nova” (2000)
Comédia romântica dirigida por Bruno Barreto, ambientada no Rio de Janeiro.
“Lula, o Filho do Brasil” (2009)
Dirigido por Fábio Barreto, retrata a trajetória de vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.