Faixa sobre Malvinas pode render punição da Fifa à Argentina após vitória sobre Inglaterra

Faixa sobre Malvinas pode render punição da Fifa à Argentina após vitória sobre Inglaterra

Redação Alô Alô Bahia

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FIFA

Publicado em 16/07/2026 às 10:17 / Leia em 3 minutos

A classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo 2026, conquistada de virada contra a Inglaterra, ganhou contornos que extrapolaram as quatro linhas e podem parar nos tribunais desportivos.

Após o encerramento da partida em Atlanta, os jogadores sul-americanos comemoraram a vitória exibindo uma faixa com a mensagem “Las Malvinas son Argentinas” (“As Malvinas são argentinas”), atitude que tem potencial para motivar a abertura de um processo disciplinar por parte da Fifa.

A vaga na decisão foi selada com um triunfo por 2 a 1, construído nos minutos finais com gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez sobre a equipe dirigida por Thomas Tuchel.

Contudo, a celebração com o cartaz esbarra no regulamento da entidade máxima do futebol, que proíbe estritamente manifestações de caráter político em seus torneios.

O histórico, inclusive, joga contra a Associação do Futebol Argentino (AFA). Em 2014, a federação foi multada em um valor que hoje representaria cerca de R$ 136 mil justamente por exibir a mesma mensagem antes de um amistoso contra a Eslovênia. Naquela oportunidade, a Fifa enquadrou o ato como má conduta e violação de suas diretrizes.

A disputa de soberania pelo arquipélago, administrado e chamado de Falklands pelo Reino Unido, mas reivindicado pelos sul-americanos, provocou uma guerra de 74 dias em 1982.

O conflito armado resultou na morte de 655 militares argentinos, 255 soldados britânicos e três civis locais. O peso histórico reacendeu imediatamente os ânimos de autoridades políticas de ambas as nações após o apito final.

A vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, utilizou as redes sociais para exaltar o ato do elenco. Ao compartilhar um vídeo com imagens de soldados do país, ela pontuou que o confronto “não foi apenas mais uma partida” e criticou a tentativa de censura: “Proibiram que elas [as Malvinas] entrassem no estádio e esqueceram que as carregamos no sangue e no coração”.

Antes do jogo rolar, Villarruel já havia apimentado o clima ao declarar que a semifinal era a chance de “colocar os invasores em seu devido lugar”.

Do outro lado do oceano, a resposta veio através de Peter Kyle, secretário britânico de Negócios e Comércio. Durante participação no programa BBC Breakfast, ele condenou a postura do time vencedor, classificou o episódio como uma “violação flagrante” das regras do esporte e afirmou ter certeza de que uma investigação será conduzida.

A postura inflamada do elenco e da vice-presidente caminhou na direção oposta do discurso adotado pelo próprio treinador da seleção, Lionel Scaloni, às vésperas da decisão. Evitando qualquer tom provocativo, o técnico havia declarado que o esporte não deveria se misturar com a política, demonstrando respeito às vítimas do triste período histórico.

Apesar da tentativa do comandante de blindar o clima da partida, o tema já vinha embalando a torcida e os atletas nas rodadas anteriores. Logo após eliminar o Egito nas oitavas de final, a equipe já havia festejado a classificação entoando músicas que faziam referências às ilhas, combinadas com homenagens aos ídolos Diego Maradona e Lionel Messi.

Não há jogos da Copa do Mundo hoje.

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