A FIFA anunciou dois novos guias voltados ao futebol feminino com o objetivo de oferecer mais segurança e suporte às atletas durante a gravidez e no período pós-parto. Os documentos trazem orientações práticas para jogadoras, médicos, fisioterapeutas e treinadores sobre como adaptar treinos, monitorar a saúde e planejar o retorno aos gramados após o nascimento do bebê.
A iniciativa busca preencher uma lacuna no esporte de alto rendimento, onde, historicamente, muitas atletas são afastadas das atividades assim que descobrem a gravidez.
Os guias foram desenvolvidos com base em pesquisas publicadas na revista científica British Journal of Sports Medicine e contam com a participação da pesquisadora Margie Davenport, da Faculdade de Cinesiologia, Esporte e Recreação.
Segundo Margie Davenport, a prática mais comum no futebol ainda é retirar a atleta grávida das atividades da equipe, uma medida que, segundo ela, nem sempre é necessária e pode trazer impactos negativos para a saúde e para o desempenho esportivo a longo prazo.
“A forma mais comum de lidar com jogadoras grávidas é afastá-las de suas equipes assim que engravidam. Isso não só é desnecessário, como muitas vezes contraproducente para a saúde e o desempenho a longo prazo da atleta”, afirmou a pesquisadora.
Ela destaca que os novos materiais são os primeiros a apresentar orientações práticas sobre quando adaptar os treinos, interromper determinadas atividades e como realizar um retorno seguro ao futebol após o parto.
Os documentos utilizam fluxogramas para orientar a avaliação individual de cada atleta, considerando fatores como:
- estágio da gravidez;
- condições de saúde;
- recuperação no pós-parto;
- saúde mental;
- medo de voltar aos treinos;
- saúde do assoalho pélvico;
- necessidade de acompanhamento médico ou fisioterapêutico.
A proposta é que as decisões sejam personalizadas, permitindo que cada jogadora continue treinando e competindo pelo maior tempo possível, sempre que houver segurança e vontade da atleta.
Segundo Davenport, pesquisas anteriores já demonstraram que a continuidade do treinamento, quando acompanhada por profissionais, pode reduzir o risco de complicações durante a gestação e diminuir a incidência de lesões após o parto.
Além da gravidez, a FIFA também elaborou um guia específico para o retorno das atletas aos gramados após o nascimento dos filhos. O material orienta quando buscar apoio de médicos, psicólogos, fisioterapeutas e consultores de amamentação, reduzindo dúvidas e oferecendo uma estrutura para que o processo de recuperação ocorra de forma mais segura.
“Antes dessas ferramentas havia muita confusão sobre como treinar durante a gravidez e no pós-parto. Agora as atletas podem tomar decisões informadas para continuar jogando enquanto desejarem e puderem”, explicou Davenport.
Para a pesquisadora, a iniciativa representa um avanço importante para o futebol feminino ao reconhecer que é possível conciliar a carreira esportiva com a maternidade.
“É visionário que uma organização esportiva esteja criando ferramentas para colocar isso em prática. Isso mostra às atletas que é possível conciliar a formação de uma família com a construção de uma carreira”, concluiu.