Às vésperas de completar 39 anos, Lionel Messi continua competindo em alto nível e mantendo números que o colocam entre os principais protagonistas do futebol mundial. Por trás da longevidade do argentino, porém, existe uma transformação iniciada há mais de uma década, quando o atacante decidiu rever hábitos que vinham afetando sua saúde e seu rendimento.
A mudança começou em 2015. Na época, Messi enfrentava episódios frequentes de vômitos, que chegavam a ocorrer durante partidas e treinamentos. Em busca de respostas, procurou o especialista italiano Giuliano Poser, profissional que passou a acompanhar sua rotina e promover alterações profundas em seu estilo de vida.
Até então, o próprio jogador admitia que mantinha uma alimentação distante dos padrões normalmente associados ao alto rendimento esportivo.
“Comi mal durante muitos anos. Eram chocolates, alfajores e refrigerante. Agora, como bem. De vez em quando, tomo um vinho, mas que não me faz mal. Notei muita mudança com a questão dos vômitos”, afirmou em entrevista à América TV.
Mudanças foram além da alimentação
O trabalho conduzido por Giuliano Poser não se limitou ao cardápio.
Além da reeducação alimentar, Messi passou a seguir orientações voltadas para aspectos físicos e emocionais. Entre as recomendações estavam sessões de terapia emocional com Florais de Bach, correções posturais, exercícios de reabilitação e acompanhamento osteopático.
O argentino também foi introduzido à cinesiologia, área que estuda os movimentos do corpo humano a partir da integração entre anatomia, fisiologia e biomecânica.
No aspecto alimentar, algumas mudanças foram imediatas. Refrigerantes, chocolates, pizzas e alimentos ultraprocessados deixaram de fazer parte da rotina do atleta.
Os cinco alimentos considerados essenciais
Segundo Poser, a estratégia nunca foi alterar o talento natural do jogador, mas permitir que ele permanecesse competitivo por mais tempo.
“Não vou melhorar um fenômeno como Messi por comer de determinada forma. Mas podemos fazer com que ele siga sendo o Messi durante mais tempo”, afirmou durante uma palestra em 2016.
O especialista definiu um grupo de alimentos que passou a ocupar papel central na rotina do craque.
“Há um conjunto de cinco alimentos que defino como gasolina: água em abundância; azeite de oliva de alta qualidade; cereais integrais; frutas frescas orgânicas e legumes/vegetais. Todos devem ser livres de pesticidas e herbicidas.”
Além disso, Messi precisou reduzir o consumo de açúcar e diminuir a ingestão de carne vermelha.
“Ele também precisou controlar o açúcar, o pior que existe para os músculos, e consumir menos carne vermelha, outra grande dificuldade para um argentino. Messi teve a intuição e a humildade de tentar algo diferente em sua vida profissional, e deu certo.”
Menos problemas físicos ao longo dos anos
De acordo com Poser, os resultados apareceram não apenas na melhora dos sintomas estomacais, mas também na redução de problemas musculares.
“Desde que ele mudou sua dieta, não teve mais lesões musculares e seus problemas estomacais acabaram. Ele eliminou a comida processada e a substituiu por alimentos ricos em vitaminas.”
Mais de dez anos após o início das mudanças, Messi continua consultando o especialista, embora afirme já conhecer bem os hábitos que o ajudam a preservar o condicionamento físico.
“Eu me cuido com a comida há muitos anos. Depois faço um fortalecimento e poucas coisas mais. Não sou muito de academia”, declarou.
Apesar da disciplina alimentar, o argentino admite que ainda existe uma exceção difícil de abandonar completamente.
“É a coisa mais difícil para mim. Mesmo agora, de vez em quando eu peco com o chocolate.”