Salvador foi escolhida para liderar o desenvolvimento de uma plataforma global que utiliza inteligência artificial para identificar áreas mais vulneráveis aos impactos do calor extremo. A iniciativa foi apresentada durante uma reunião técnica realizada nesta terça-feira (17), na sede da Defesa Civil de Salvador (Codesal), reunindo representantes da Prefeitura, da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da rede internacional de cidades C40.
O principal destaque do encontro foi a apresentação da Heat Insights Tool, ferramenta desenvolvida em parceria com a C40, o GEO (Group on Earth Observations) e o GCoM (Global Covenant of Mayors). A capital baiana foi selecionada como cidade-piloto para a construção da plataforma, que poderá futuramente ser utilizada por municípios de diferentes portes ao redor do mundo.
A ferramenta combina inteligência artificial, imagens de satélite, dados climáticos e análises geoespaciais para mapear riscos relacionados ao calor extremo. Além da temperatura do ar, o sistema considera fatores sociais e ambientais que influenciam a vulnerabilidade das populações, auxiliando gestores públicos na definição de áreas prioritárias para intervenções e políticas de adaptação climática.

Salvador lidera projeto global com inteligência artificial para mapear riscos de calor extremo – foto: Jeffersson Peixoto
“O enfrentamento ao calor extremo exige planejamento, inovação e cooperação internacional. Salvador tem se consolidado como um laboratório de soluções climáticas urbanas”, afirmou o secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal, Ivan Euler.
Dados apresentados durante o encontro mostram a relevância do tema. O monitoramento da Defesa Civil aponta diferenças de até 6,5°C entre bairros da capital baiana. Regiões como Periperi, Massaranduba, Cajazeiras e Ilha de Maré estão entre as mais quentes da cidade, enquanto áreas como Vitória e Pituba registram temperaturas mais amenas.
Segundo estudos citados pela Prefeitura, as ondas de calor contribuíram para até 55 mil mortes em excesso nas cidades brasileiras entre 2000 e 2018. Em 2024, mais de 6 milhões de brasileiros viveram ao menos cinco meses sob condições de calor extremo.