Salvador recebe artistas do Canadá, Nigéria e Argentina em residência internacional do Goethe-Institut

Salvador recebe artistas do Canadá, Nigéria e Argentina em residência internacional do Goethe-Institut

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 16/06/2026 às 15:19 / Leia em 3 minutos

Salvador receberá, a partir de 29 de junho, o segundo grupo de residentes da edição 2026 da Vila Sul, programa internacional do Goethe-Institut Salvador que promove intercâmbios entre artistas e pesquisadores de diferentes países. Nesta etapa, a capital baiana acolhe três participantes vindos da Argentina, Nigéria e Canadá, que desenvolverão projetos ligados ao tema “Tecidos de Narrativas”, em uma imersão de dois meses voltada à criação, pesquisa e trocas culturais.

A iniciativa tem como ponto de partida a própria formação histórica de Salvador, marcada pelo encontro de matrizes indígenas, africanas e europeias. O conceito curatorial amplia a ideia do tecido como elemento de memória, identidade e resistência, presente em práticas como renda, bordado, estampas e tecelagem, além de utilizar o ato de tecer como metáfora para a construção de histórias coletivas e conexões culturais.

Durante a residência, os artistas participarão de pesquisas de campo, oficinas, encontros com criadores baianos e atividades junto a comunidades locais. A argentina Alejandra Mizrahi, artista e pesquisadora com trajetória ligada a comunidades de rendeiras, investigará práticas têxteis tradicionais desenvolvidas por mulheres latino-americanas. Em Salvador, pretende mapear saberes locais e criar um “dechado coletivo”, reunindo memórias, técnicas e experiências compartilhadas entre artesãs baianas e latino-americanas.

Da Nigéria, a artista e pesquisadora Jumoke Sanwo desenvolverá o projeto “Isàlè̩ Apótí: Renda, Memória e a Pós-Vida do Comércio”, que explora as conexões históricas entre Nigéria, Bahia e Europa a partir do comércio têxtil. Com passagens por importantes instituições e eventos internacionais, a pesquisadora aprofundará estudos sobre heranças afro-brasileiras, religiosidades de matriz africana e as relações entre tecidos, espiritualidade e pertencimento. O trabalho inclui entrevistas, registros fotográficos e experimentações têxteis com comunidades religiosas e descendentes de afro-brasileiros retornados à Nigéria.

Representando o Canadá, o artista visual e digital Étienne Rochon, conhecido pelo pseudônimo Arthur Desmarteaux, criará o projeto “Sonhos Urbanos”, que combina teatro de bonecos, vídeo em tempo real, projeções digitais, teatro de sombras e música eletrônica. Inspirada pela paisagem urbana e pelas manifestações populares de Salvador, a obra será concebida para espaços públicos da cidade e incorporará sons, imagens e elementos coletados durante a residência, além de promover intercâmbios com coletivos, universidades e grupos de teatro locais.

Para o diretor de operações do Goethe-Institut Salvador, Leonel Henckes, a iniciativa reforça o papel da Bahia como referência na criação artística contemporânea e no diálogo cultural internacional. “A Vila Sul cria pontes entre artistas, territórios e narrativas que dialogam diretamente com a complexidade cultural de Salvador. Receber artistas de diferentes partes do mundo para pesquisar, criar e trocar experiências com a cidade fortalece não apenas o intercâmbio internacional, mas também o reconhecimento da potência cultural baiana no cenário contemporâneo”, afirma.

Mantida pelo Goethe-Institut Salvador, a Vila Sul promove residências artísticas internacionais voltadas à criação contemporânea, à pesquisa e ao pensamento crítico, aproximando artistas estrangeiros da cena cultural baiana e fortalecendo redes de colaboração entre diferentes territórios.

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