Moradores de diferentes regiões de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, têm relatado uma espécie de “invasão” de marimbondos em áreas urbanas, situação que tem gerado preocupação principalmente entre famílias com crianças, idosos, pessoas alérgicas e tutores de animais domésticos. Diante do aumento das ocorrências, a Prefeitura, por meio das secretarias municipais de Meio Ambiente e Saúde, reforçou orientações preventivas e recomendou atenção redobrada à presença dos insetos.
Os relatos se concentram em bairros como Candeias, mas também alcançam outras localidades da cidade. As vespas costumam viver em colônias e instalar seus ninhos em locais protegidos, como telhados, forros, garagens e beirais. Apesar do receio causado pelas ferroadas, que podem provocar desde dor intensa até reações graves, esses insetos desempenham papel importante no equilíbrio ambiental, atuando na polinização e no controle natural de pragas.
Embora a maior incidência de vespas seja registrada na primavera, ainda não há uma explicação conclusiva para o aumento observado durante o outono. Entre as hipóteses levantadas por especialistas está a influência das chuvas dos últimos meses, que podem ter favorecido a divisão das colônias e o deslocamento dos insetos para áreas urbanizadas.
Para a bióloga Generosa Ribeiro, doutora em Ciências Agrárias e especialista em abelhas, a presença desses animais nos centros urbanos é mais comum do que parece. “O aparecimento frequente de vespas em áreas urbanas é mais comum do que parece, especialmente em períodos mais quentes, com lixo exposto e locais protegidos para construção dos ninhos”, explicou ao jornal Correio.

Reprodução/Jornal Correio
Segundo a pesquisadora, espécies como a vespa-de-papel (Polistes versicolor) e a vespa-amarela (Vespula vulgaris) encontram nas cidades condições favoráveis para estabelecer colônias. Entre os fatores que atraem esses insetos estão restos de alimentos, frutas maduras, lixo sem proteção, bebidas açucaradas, jardins floridos e a presença de outros insetos que servem de alimento para suas larvas. “O calor e os ambientes abrigados também favorecem a presença dessas espécies, que preferem áreas quentes e seguras para formar seus ninhos”, acrescentou.
Especialistas alertam que a população não deve tentar remover ninhos ou enfrentar grandes concentrações de marimbondos por conta própria, devido ao risco de ataques coletivos. Nesses casos, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros para realizar a retirada de forma segura.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente recomenda que moradores mantenham portas e janelas fechadas ao perceber a presença dos insetos. Em caso de picada, a orientação é afastar-se imediatamente do local para evitar novas ferroadas, lavar a área atingida com água e sabão neutro, aplicar compressas frias por 10 a 15 minutos e utilizar pomadas antialérgicas para aliviar os sintomas.
Também é importante ficar atento aos sinais de anafilaxia, reação alérgica grave que exige atendimento médico imediato. Dificuldade para respirar ou engolir, inchaço nos lábios, língua ou garganta, sensação de desmaio, queda de pressão, manchas vermelhas pelo corpo, além de náuseas, vômitos e diarreia, estão entre os principais sintomas de alerta.