A Defesa Civil de Salvador (Codesal) realizou 1.416 vistorias em imóveis e áreas de risco da capital baiana durante o mês de maio, dentro das ações da Operação Chuva. As principais ocorrências registradas foram ameaças de desabamento (509), orientações técnicas (287) e ameaças de deslizamento (231).
Como medida preventiva, a Codesal e a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) aplicaram 15.572 m² de lona plástica em 116 pontos da cidade para impermeabilizar encostas e reduzir o risco de deslizamentos. No mesmo período, o Setor de Atendimento à Comunidade em Áreas de Risco cadastrou 732 famílias para atendimento social junto à Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre).
Apesar da frequência das chuvas, maio terminou com volume abaixo da média histórica. Segundo a estação de referência de Ondina, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado do mês foi de 209,4 milímetros, cerca de 30,7% inferior à normal climatológica de 302,2 mm. O histórico mostra que o maio mais chuvoso da última década foi o de 2020, quando Salvador acumulou 489,1 mm, volume muito acima da média para o período.
Os maiores índices pluviométricos foram registrados nos bairros da Calçada (237,8 mm), Massaranduba (236,4 mm), Caixa d’Água (230,4 mm), Barra/Vila Naval (229,4 mm), Rio Vermelho (227,8 mm), Barris (221,4 mm), Federação (218,2 mm), Brotas/Codesal (212,2 mm), Ondina (209,4 mm) e Pau Miúdo (204,2 mm).
Para junho, porém, a tendência é de aumento das precipitações. A previsão aponta acumulados acima da normal climatológica do mês, estimada em 237,6 mm, devido à atuação de sistemas meteorológicos como frentes frias, cavados e áreas de baixa pressão atmosférica. Na manhã de terça-feira (2), alguns bairros da cidade já haviam acumulado quase 40% da chuva prevista para todo o mês em apenas dois dias.
Outro fator que reforça o monitoramento é a possibilidade de formação do fenômeno El Niño nos próximos meses. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno entre junho e julho. A projeção indica ainda que ele poderá permanecer ativo até o período entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, quando a chance de ocorrência sobe para 96%.
“A Defesa Civil de Salvador realiza, ao longo de todo o ano, ações preventivas nas áreas de risco da capital com o objetivo de preservar vidas, especialmente durante o período mais chuvoso, entre abril e junho. Nesse contexto, as vistorias são realizadas diariamente, seja a partir de solicitações dos moradores, seja por meio de demandas encaminhadas pelos órgãos parceiros da Operação Chuva”, afirma o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira.
A Defesa Civil orienta a população a acionar o órgão ao identificar sinais de risco, como escorregamentos de terra, rachaduras, estalos em paredes, postes inclinados ou outras alterações no terreno. O atendimento funciona 24 horas por dia pelo telefone gratuito 199.