A revitalização da Hidrovia do São Francisco deve ampliar a competitividade da Bahia e fortalecer a logística sustentável no Nordeste. O projeto prevê a retomada da navegação comercial em 1.371 quilômetros navegáveis entre Pirapora (Minas Gerais) e Juazeiro, no norte baiano, criando um novo corredor para o transporte de cargas e reduzindo a dependência das rodovias.
Coordenada pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), a chamada Nova Hidrovia do São Francisco tem expectativa de movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação. A iniciativa faz parte de um conjunto de investimentos voltados à diversificação da matriz de transportes brasileira e à redução dos custos logísticos na região.
Com cerca de 2,8 mil quilômetros de extensão, o Rio São Francisco atravessa 505 municípios e abastece mais de 11,4 milhões de pessoas. A retomada da navegação comercial é considerada estratégica para ampliar a integração econômica entre o Sudeste e o Nordeste.
Além da reativação da navegação, o projeto prevê a integração da hidrovia com outros modais de transporte, conectando-se à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e ao Porto de Aratu, na Bahia. A estrutura deverá facilitar o escoamento de produtos como grãos, insumos agrícolas, minérios, gesso, calcário, bebidas e sal.
Os estudos de modelagem econômica estão sendo desenvolvidos com participação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e da Marinha do Brasil. Entre os benefícios apontados está a maior eficiência ambiental do transporte hidroviário. Segundo os estudos, um único comboio fluvial pode substituir até 163 carretas, reduzindo emissões de poluentes, congestionamentos e custos operacionais.
“A Nova Hidrovia do São Francisco representa avanço para a logística nacional, promovendo um transporte mais limpo, eficiente e competitivo, além de ampliar a movimentação de cargas entre os estados nordestinos”, destaca o secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Otto Luiz Burlier.
Outro projeto em andamento no Nordeste é a revitalização da Hidrovia do Parnaíba, que abrange Maranhão, Piauí e Ceará. Embora esteja fora do território baiano, a iniciativa também pode beneficiar o estado por atender à região do MATOPIBA, fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A expectativa é que a hidrovia passe a movimentar entre 4 e 5 milhões de toneladas de grãos por ano, fortalecendo a logística de escoamento da produção agrícola da região. “Essas ações permitem que a navegação ocorra de forma contínua, fortalecendo rotas estratégicas para o transporte de mercadorias e ampliando a segurança de quem utiliza as hidrovias”, conclui o secretário Otto Luiz Burlier.