Após anos afastada das grandes concessões de infraestrutura no Brasil, a Odebrecht voltou a vencer um leilão no país. Em consórcio com a portuguesa Mota-Engil e a gestora Galápagos Capital, a empresa conquistou nesta quinta-feira (28) a concessão da Rota dos Sertões, corredor rodoviário que liga Salgueiro, em Pernambuco, a Feira de Santana, na Bahia.
O grupo apresentou desconto de 19,6% sobre a tarifa de pedágio e superou outros dois concorrentes na disputa realizada na B3, em São Paulo. O contrato terá duração de 30 anos e prevê investimentos estimados em R$ 4,4 bilhões.
A concessão envolve trechos das rodovias BR-116 e BR-324 e é considerada estratégica para o escoamento de cargas e a integração logística entre o Nordeste e o Sudeste do país. Entre as principais intervenções previstas estão 96 quilômetros de duplicações, 44 quilômetros de vias marginais e a construção do contorno viário de Serrinha, no interior baiano.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério dos Transportes e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Rota dos Sertões abrange cerca de 502 quilômetros de rodovias entre Pernambuco e Bahia, beneficiando o transporte de passageiros e mercadorias em uma das principais ligações terrestres da região.
“O projeto é predominantemente no Estado de origem do nosso grupo, a Bahia”, afirmou André Rabello, executivo que chefia a Neo Invest, veículo da Odebrecht criado para atuar no setor de concessões, ao Valor Econômico.
A Neo Invest lidera o consórcio com participação de 34%, enquanto Mota-Engil e Galápagos detêm 33% cada. Segundo Rabello, a empresa continuará avaliando novas oportunidades de infraestrutura. “Estamos avaliando projetos que possam escalar o nosso foco principal, não só na área de transporte, como também de saneamento, e projetos especiais que demandam a presença de uma engenharia mais sofisticada”, disse.
O resultado marca o retorno da Odebrecht, hoje controlada pelo grupo Novonor, ao mercado brasileiro de concessões após o desinvestimento de ativos realizado nos últimos anos para reduzir dívidas. A antiga OTP (Odebrecht Transport) chegou a operar rodovias na Bahia e em Pernambuco, além de participar de projetos de mobilidade urbana como a SuperVia, no Rio de Janeiro, e a Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo.