Deolane Bezerra é presa em operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC

Deolane Bezerra é presa em operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC

Redação Alô Alô Bahia

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Reprodução/Instagram

Publicado em 21/05/2026 às 08:07 / Leia em 5 minutos

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa, na manhã desta quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. As informações são do jornal O GLOBO.

A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Segundo as autoridades, a advogada teria recebido valores provenientes da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como o braço financeiro da cúpula do grupo.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões vinculados ao nome da influenciadora por possuir indícios de ocultação de capital e origem não comprovada.

Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Entre os alvos da ação estão Alejandro Camacho, irmão de Marcola, os sobrinhos do criminoso Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, e Everton de Souza, conhecido como Player e apontado como o operador financeiro da organização.

A investigação apura um esquema baseado em uma transportadora de cargas com sede na cidade de Presidente Venceslau, no interior paulista, controlada pela alta cúpula da facção.

Segundo os investigadores, Everton aparecia em mensagens interceptadas com orientações sobre a distribuição de recursos da empresa e a indicação de contas para o destino do dinheiro.

O inquérito aponta que Paloma é suspeita de atuar na Espanha para intermediar os negócios da família, enquanto Leonardo estaria na Bolívia como destinatário de parte dos valores lavados. Marcola e Alejandro cumprem pena na Penitenciária Federal de Brasília.

A Justiça também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e o confisco de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados.

Retorno ao Brasil e rastreio de depósitos

Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa da influenciadora em Barueri e em outros endereços. A operação também mirou o influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação da advogada, e um contador ligado ao grupo.

As investigações começaram no ano de 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. O material originou 3 inquéritos sucessivos. O primeiro identificou ordens internas da facção e menções a ataques contra servidores públicos. O segundo buscou aprofundar a ligação da transportadora com o grupo criminoso.

No ano de 2021, a Operação Lado a Lado apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e o uso da empresa como estrutura de lavagem de dinheiro.

Durante a operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como o operador central e responsável por comprar caminhões, movimentar recursos da cúpula e executar as ordens de Marcola.

Fracionamento de valores e suposta dissimulação

O aparelho revelou detalhes sobre as movimentações financeiras da empresa Lopes Lemos Transportes, também chamada de Lado a Lado Transportes, e abriu uma nova frente investigativa.

No celular, a polícia encontrou imagens de depósitos favorecendo contas de Deolane e de Everton de Souza. Ciro Cesar e a esposa permanecem foragidos.

O inquérito identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela advogada, incluindo a circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e a aquisição de bens de alto padrão.

Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

O cruzamento das provas apreendidas com os relatórios financeiros apontou Deolane como a recebedora de dinheiro do PCC, com parte das movimentações realizadas por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção.

Entre os anos de 2018 e 2021, a influenciadora recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, uma prática conhecida como smurfing para dificultar o rastreamento financeiro.

A polícia afirma que Everton indicava as contas de Deolane para os fechamentos mensais do esquema. As investigações registraram quase 50 depósitos realizados em duas empresas ligadas à advogada que somaram R$ 716 mil.

Os valores partiram de uma empresa que se apresenta como banco de crédito e cujo responsável recebe cerca de um salário mínimo mensal. A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos e a polícia descartou a existência de prestação de serviços jurídicos que justificasse os montantes.

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