Salvador pode perder R$ 1,4 trilhão até 2100 sem adaptação climática, alerta prefeitura

Salvador pode perder R$ 1,4 trilhão até 2100 sem adaptação climática, alerta prefeitura

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Ranimiro Lotufo Neto

Publicado em 11/05/2026 às 11:08 / Leia em 3 minutos

A Prefeitura de Salvador apresentou, durante o Salão Nacional do Turismo 2026, em Fortaleza, dados considerados alarmantes sobre os impactos das mudanças climáticas na capital baiana. Segundo informações divulgadas no painel “Plano de Adaptação Climática e o Case de Salvador”, a cidade pode acumular perdas econômicas de até R$ 1,4 trilhão até 2100 caso medidas de adaptação não sejam implementadas, especialmente no setor turístico.

Outro dado que chamou atenção foi a projeção de até 294 dias por ano com temperaturas acima de 30°C até o fim do século. O avanço do nível do mar também preocupa, com risco de perda de faixa de areia, danos a monumentos costeiros e impactos diretos sobre segmentos ligados ao turismo histórico, cultural e religioso.

Representando o município no evento, o subsecretário de Sustentabilidade e Resiliência da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis), Walter Pinto Júnior, destacou que os efeitos climáticos já exigem mudanças estruturais no planejamento urbano e turístico da cidade. “Salvador não é apenas um destino histórico; é um ecossistema vivo que enfrenta desafios globais. Não existe futuro para o turismo se não houver resiliência climática”, afirmou.

Durante o debate “A Salvador ancestral e do futuro: desafios do turismo sustentável”, Walter ressaltou que a capital baiana vem se consolidando como referência internacional em políticas urbanas resilientes, com cooperação de redes como C40 Cities, ICLEI e Rede de Cidades Resilientes. “Hoje, Salvador é um laboratório global de soluções climáticas para cidades costeiras do Sul Global. Estamos trocando experiências, importando e exportando tecnologias sociais para enfrentar os desafios climáticos com inovação e justiça social”, pontuou.

O painel também apresentou metas do Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas (PMAMC), tratado pela gestão municipal como um “manual de sobrevivência econômica” da cidade. Entre os objetivos está a promoção do turismo sustentável e regenerativo até 2032, com ações voltadas à geração de empregos, valorização da cultura local e redução das emissões de gases de efeito estufa em grandes eventos.

Entre as iniciativas já implementadas pela prefeitura estão o Plano Afro, QualiSalvador, Capacita Salvador, o Viveiro de Restinga, projetos de eletromobilidade, o Carnaval Sustentável, o programa Mané Dendê e intervenções de requalificação da orla.

A relação entre ancestralidade, preservação ambiental e turismo regenerativo também foi destacada no encontro. “O turismo regenerativo em Salvador passa pela nossa ancestralidade. Quando protegemos os terreiros e as comunidades quilombolas, estamos preservando patrimônios culturais e também microclimas essenciais para a cidade”, afirmou Walter.

O subsecretário ainda reforçou a meta da capital baiana de alcançar a neutralidade de carbono até 2049, ano em que Salvador completa 500 anos. “Nossa meta é clara: fazer de Salvador uma cidade carbono neutro até 2049. O turismo sustentável e regenerativo é uma das locomotivas capazes de acelerar essa transformação”, concluiu.

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