Em cartaz em São Paulo, fotógrafo baiano Lázaro Roberto lança exposição virtual inédita do acervo Zumví

Em cartaz em São Paulo, fotógrafo baiano Lázaro Roberto lança exposição virtual inédita do acervo Zumví

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Lázaro Roberto

Publicado em 11/05/2026 às 09:26 / Leia em 4 minutos

O fotógrafo baiano Lázaro Roberto, que está com a exposição “Zumví Arquivo Afro Fotográfico” em cartaz no IMS Paulista até agosto, amplia agora a atuação digital do acervo afro-fotográfico que dirige. O Zumví Arquivo Afro Fotográfico lança, na próxima quarta-feira (13), a exposição virtual “Zumví: Na rota das Manifestações Afro Culturais de Itaparica ao Recôncavo Baiano”, reunindo registros inéditos de manifestações culturais negras em Salvador, no Recôncavo Baiano e na Ilha de Itaparica.

A nova mostra online marca um novo momento de difusão do acervo criado por Lázaro Roberto, fotógrafo negro baiano e fundador do Zumví. A exposição apresenta uma série documental dedicada a celebrações e tradições populares de forte valor histórico e simbólico, como a Festa de Caboclo de Itaparica, a Festa de Iemanjá de Cachoeira, o Bembé do Mercado, em Santo Amaro, o Nego Fugido, a Chegança da Fragata Brasileira, em Saubara, além da Zambiapunga e da Festa de São Bartolomeu, em Maragogipe. O texto curatorial é assinado pelo historiador José Carlos Ferreira, o Zezão.

“Foi muito importante ter a oportunidade de estar nessas localidades e regiões quilombolas, fotografando essas manifestações afro-culturais. São expressões de resistência que há séculos seguem vivas e que também alimentam a cultura negra de Salvador. Esse registro vai ficar para a posterioridade e permitir que mais pessoas conheçam e se debrucem sobre essas manifestações”, afirma Lázaro Roberto.

Com mais de 30 anos de atuação, o Zumví se consolidou como referência na preservação e difusão da memória afro-brasileira a partir da fotografia produzida por profissionais negros. O acervo reúne mais de 30 mil fotogramas produzidos por sete fotógrafos, retratando manifestações culturais, religiosas, sociais e políticas da população negra baiana. A aposta em exposições virtuais integra uma estratégia de ampliação de acesso e fortalecimento de ações educativas antirracistas.

Foto: Lázaro Roberto

Dando continuidade a essa proposta, o Zumví promove, no dia 29 de maio, às 17h30, na Casa Zumví, no Rio Vermelho, o encontro “Acervos: da Produção à Difusão Digital”. A programação contará com duas mesas de debate voltadas aos desafios da criação artística para exposições virtuais e às estratégias de circulação de acervos no ambiente digital.

A primeira mesa terá participação de Lázaro Roberto, com mediação de Cíntia Guedes, discutindo processos criativos, curadoria e experiência estética em ambientes virtuais. Já o segundo debate reunirá José Carlos Ferreira, Ricardo Sodré, da Farinha, e Millard Schisler, do Pró-Memórias, para discutir preservação, acesso e mediação de acervos digitais.

“Nosso evento tem o intuito de trazer para a sociedade o debate sobre a preservação de acervos digitais, que, assim como os analógicos, também precisam de cuidados especiais, especialmente no armazenamento e na segurança da disponibilização desses arquivos. O lançamento da nossa plataforma mostra essa intenção, porque ela foi pensada com sistema de segurança, disponibilização qualificada e maior conforto para pesquisadores e curadores”, destaca Zezão.

O movimento de expansão digital acontece em paralelo ao reconhecimento nacional do trabalho do Zumví. Desde março, o Zumví Arquivo Afro Fotográfico ocupa o IMS Paulista com uma retrospectiva inédita de cerca de 400 fotografias e documentos que retratam movimentos sociais, blocos afro, afoxés, religiosidades e cenas do cotidiano da população negra baiana.

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