O fotógrafo baiano Lázaro Roberto, que está com a exposição “Zumví Arquivo Afro Fotográfico” em cartaz no IMS Paulista até agosto, amplia agora a atuação digital do acervo afro-fotográfico que dirige. O Zumví Arquivo Afro Fotográfico lança, na próxima quarta-feira (13), a exposição virtual “Zumví: Na rota das Manifestações Afro Culturais de Itaparica ao Recôncavo Baiano”, reunindo registros inéditos de manifestações culturais negras em Salvador, no Recôncavo Baiano e na Ilha de Itaparica.
A nova mostra online marca um novo momento de difusão do acervo criado por Lázaro Roberto, fotógrafo negro baiano e fundador do Zumví. A exposição apresenta uma série documental dedicada a celebrações e tradições populares de forte valor histórico e simbólico, como a Festa de Caboclo de Itaparica, a Festa de Iemanjá de Cachoeira, o Bembé do Mercado, em Santo Amaro, o Nego Fugido, a Chegança da Fragata Brasileira, em Saubara, além da Zambiapunga e da Festa de São Bartolomeu, em Maragogipe. O texto curatorial é assinado pelo historiador José Carlos Ferreira, o Zezão.
“Foi muito importante ter a oportunidade de estar nessas localidades e regiões quilombolas, fotografando essas manifestações afro-culturais. São expressões de resistência que há séculos seguem vivas e que também alimentam a cultura negra de Salvador. Esse registro vai ficar para a posterioridade e permitir que mais pessoas conheçam e se debrucem sobre essas manifestações”, afirma Lázaro Roberto.
Com mais de 30 anos de atuação, o Zumví se consolidou como referência na preservação e difusão da memória afro-brasileira a partir da fotografia produzida por profissionais negros. O acervo reúne mais de 30 mil fotogramas produzidos por sete fotógrafos, retratando manifestações culturais, religiosas, sociais e políticas da população negra baiana. A aposta em exposições virtuais integra uma estratégia de ampliação de acesso e fortalecimento de ações educativas antirracistas.

Foto: Lázaro Roberto
Dando continuidade a essa proposta, o Zumví promove, no dia 29 de maio, às 17h30, na Casa Zumví, no Rio Vermelho, o encontro “Acervos: da Produção à Difusão Digital”. A programação contará com duas mesas de debate voltadas aos desafios da criação artística para exposições virtuais e às estratégias de circulação de acervos no ambiente digital.
A primeira mesa terá participação de Lázaro Roberto, com mediação de Cíntia Guedes, discutindo processos criativos, curadoria e experiência estética em ambientes virtuais. Já o segundo debate reunirá José Carlos Ferreira, Ricardo Sodré, da Farinha, e Millard Schisler, do Pró-Memórias, para discutir preservação, acesso e mediação de acervos digitais.
“Nosso evento tem o intuito de trazer para a sociedade o debate sobre a preservação de acervos digitais, que, assim como os analógicos, também precisam de cuidados especiais, especialmente no armazenamento e na segurança da disponibilização desses arquivos. O lançamento da nossa plataforma mostra essa intenção, porque ela foi pensada com sistema de segurança, disponibilização qualificada e maior conforto para pesquisadores e curadores”, destaca Zezão.
O movimento de expansão digital acontece em paralelo ao reconhecimento nacional do trabalho do Zumví. Desde março, o Zumví Arquivo Afro Fotográfico ocupa o IMS Paulista com uma retrospectiva inédita de cerca de 400 fotografias e documentos que retratam movimentos sociais, blocos afro, afoxés, religiosidades e cenas do cotidiano da população negra baiana.