Imagens de inspeção revelam corrosão e risco de contaminação em fábrica da Ypê

Imagens de inspeção revelam corrosão e risco de contaminação em fábrica da Ypê

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 11/05/2026 às 10:28 / Leia em 4 minutos

A diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decide nesta semana se mantém a suspensão da fabricação e da comercialização de lotes de produtos de limpeza da marca Ypê.

Imagens de um relatório oficial, divulgadas pelo “Fantástico” (TV Globo), mostram uma inspeção sanitária realizada no fim do mês de abril na fábrica da empresa, em Amparo, no interior de São Paulo. Os registros revelaram equipamentos usados para a fabricação de detergentes e de lava-roupas com marcas de corrosão e flagraram restos de produtos devolvidos às linhas de envase.

Foto: Reprodução

A inspeção durou 4 dias e resultou em uma decisão punitiva publicada na última quinta-feira, 7. O texto oficial apontou falhas graves. “Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade”, descreveu o documento.

A agência alertou que “os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de boas práticas de fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com a possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica, presença indesejada de micro-organismos patogênicos”.

O documento relatou que “faz-se necessário destacar, com gravidade, que a empresa, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, obteve resultados fora de especificação microbiológica, incluindo resultados positivos para pseudomonas aeruginosa”. A bactéria foi encontrada em 80 lotes armazenados no almoxarifado.

A fiscalização concluiu que as irregularidades formam “Um quadro crítico, caracterizado como de risco sanitário elevado”, exigindo medidas imediatas “sob pena de comprometimento da saúde dos consumidores e de agravamento das sanções sanitárias cabíveis”. O risco direto foi identificado nos lotes de lava-louças, lava-roupas líquido e desinfetante com a numeração final 1, que devem ter o uso suspenso pelos clientes.

Foto: Reprodução

A fabricante recorreu administrativamente na sexta-feira (9) e garantiu a suspensão provisória da medida. A Ypê afirmou em nota que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos mercadológicos e que já descarta itens fora do padrão.

A companhia disse que as fotos mostram áreas sem contato com os produtos inseridas em “Um plano robusto de melhorias na fábrica”. A marca paralisou a produção na unidade para acelerar as adequações e reiterou “seu compromisso de 75 anos como uma empresa 100% nacional, focada em entregar produtos de qualidade a um preço justo para todos os brasileiros”.

O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo manteve a avaliação de risco e recomendou que os comércios não vendam os lotes afetados. O órgão explicou que “a apresentação de recurso administrativo pela empresa segue o rito previsto na legislação vigente e será analisada pela Anvisa, sem alterar, até o momento, a avaliação decorrente da inspeção”.

O diretor-presidente da Anvisa Leandro Pinheiro Safatle explicou os próximos passos. “Foi feita toda essa investigação, toda essa análise. Então, tem os pareceres que foram feitos tecnicamente. Veja, a Anvisa segue a boa técnica, segue a ciência e segue a melhor metodologia. É assim que ela faz esse processo”, disse.

O chefe da agência reforçou o rito legal para a decisão final que ocorrerá na próxima quarta-feira (13). “E ela faz esse processo de forma rotineira. E, rotineiramente, a gente também tem um rito nosso. Quando a gente faz esse tipo de ação, a gente dá o direito da ampla defesa para a empresa. E ela tem todo esse direito. Esse direito de ampla defesa foi exercido agora com o pedido que a empresa fez de suspensão desse efeito. Foi dada essa suspensão. É automático esse processo de concessão dessa suspensão. Só que nós vamos analisar essa questão de forma bem definitiva agora, na quarta-feira, na próxima reunião de colegiado da Anvisa”, complementou.

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