Fim de uma era: Brega de Orlando começa a ser demolido em Salvador

Fim de uma era: Brega de Orlando começa a ser demolido em Salvador

Redação Alô Alô Bahia

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Reprodução e Arisson Marinho / CORREIO

Publicado em 08/05/2026 às 17:04 / Leia em 3 minutos

O tradicional Brega de Orlando, localizado no bairro de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, começou a ser demolido nesta sexta-feira (8) em meio às obras de implantação do VLT do Subúrbio. Máquinas foram vistas derrubando partes da estrutura que, ao longo de décadas, se tornou um dos espaços mais conhecidos da noite soteropolitana.

Instalado à beira da Baía de Todos-os-Santos, o local ganhou fama não apenas pela atividade exercida no espaço, mas também pela vista privilegiada para o mar e pelas histórias construídas ao longo de quase 40 anos de funcionamento. Com azulejos em tons de azul e laranja e uma estrutura simples voltada para a praia, o estabelecimento se tornou um ponto conhecido entre frequentadores do Subúrbio.

A demolição ocorre após o avanço das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que utilizará parte da área onde antes funcionava a antiga linha férrea. O encerramento das atividades vinha sendo tratado com tristeza por funcionárias e frequentadores, que viam o espaço como parte da memória afetiva e cultural da região.

Frequentador antigo do local, um cliente identificado como Januário Jereba afirmou ao jornal Correio em reportagem publicada em janeiro que o fechamento representa uma perda simbólica para a cidade. “Derrubar o Brega de Orlando é a mesma coisa que derrubar o Elevador Lacerda. Vai acabar com um pedaço da história de Salvador”, disse.

Além das histórias de relacionamentos e encontros, funcionárias destacavam o impacto econômico do fechamento. Muitas relatavam que o espaço era a principal fonte de renda e sustento familiar. Uma delas, identificada como Aruza Skaf, afirmou ao Correio que trabalhava no local há oito anos. “Isso aqui é o meu sustento. É daqui que eu pago minhas dívidas, pago meu curso de segurança do trabalho, construí minha casa e comprei minha moto”, declarou.

Outra profissional, chamada de Galega na reportagem, falou sobre o preconceito enfrentado pelas mulheres que atuavam no local. “Eu sou muito feliz, não preciso esconder nada. Não me considero uma mulher infeliz porque vendo meu corpo. Eu sou independente, eu pago minhas contas”, afirmou.

Segundo relatos, o estabelecimento também servia como moradia temporária para algumas trabalhadoras que vinham de outras cidades. O espaço contava com quartos destinados tanto ao atendimento quanto à hospedagem das profissionais.

Os proprietários do local, Orlando e o filho Jean, preferiram não comentar o fechamento. Ainda não há definição oficial sobre uma possível mudança do estabelecimento para outro endereço. Entre as possibilidades discutidas estaria uma nova estrutura na Estrada do Derba ou em outro ponto de Praia Grande.

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